A falta de vagas nas creches e no pré-escolar é um problema que afeta cada vez mais famílias em Portugal. No caso das creches, mais de metade das crianças entre os 6 meses e os três anos não têm vaga em estabelecimentos públicos ou privados.
É na sala laranja que Artur Maria fica todos os dias da semana para os pais conseguirem trabalhar. Dentro de poucos meses, Luís será novamente pai.
"Está previsto para setembro, mas a vaga [na creche] é só para setembro do próximo ano. Não temos com quem deixar o nosso filho", lamentou Luís Nabais à SIC.
Apesar de ter procurado com antecedência, também não conseguiu uma vaga para o filho mais velho. Sem alternativas, acabou por deixar a carreira em segundo plano.
Desesperados para encontrarem um lugar onde deixar os filhos, a procura começa cada vez mais cedo. Com apenas quatro semanas de gestação, a maior preocupação de Filipa foi garantir uma vaga para o bebé que nasce dentro de um mês.
Ainda falta muito tempo, mas já não há vaga
Vanessa Melo, uma outra mãe, recordou que aos três meses de gravidez levou um "não" quando perguntou se havia vaga na creche. Seguiram-se semanas de angústia para o casal. Um problema que em Portugal afeta cada vez mais famílias.
Minutos antes da gravação desta entrevista, à creche chegou mais um telefonema de um pai desesperado. A agenda para o próximo ano letivo ficou fechada em novembro do ano passado.
Os dados mais recentes revelam que há pelo menos 250 mil crianças entre os seis meses e os três anos com idade para frequentar uma creche. Mas quando contabilizamos as vagas dos estabelecimentos públicos e privados, vemos que só existem 120 mil vagas disponíveis - um número abaixo das necessidades, que pode deixar sem resposta mais de metade das crianças.
Também no pré-escolar a oferta é insuficiente para a procura. Vanessa só conseguiu lugar para a filha num estabelecimento privado. Sem o apoio da creche feliz, que se aplica até aos três anos, vai pagar uma mensalidade superior a 400 euros.
A associação de creches e pequenos estabelecimentos de ensino particular identificou milhares de vagas disponíveis nos estabelecimentos privados de norte a sul do país, que podiam dar resposta a parte das 12 mil crianças sem lugar no pré-escolar.
Esta falta de educadores pode afetar a estratégia do Governo de alargamento da rede do pré-escolar com mais 200 salas, que vão dar resposta a 5 mil crianças.