O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, classificou como "espantosa" a resposta do país ao apagão que atingiu Portugal e Espanha esta segunda-feira, garantindo que os serviços essenciais foram preservados, mas reconheceu que há aspetos a melhorar, nomeadamente o funcionamento do SIRESP.
Em entrevista no Jornal da Noite, após o incidente que deixou Portugal às escuras, Leitão Amaro disse que a falha foi um "evento muito sério com origem não nacional", para o qual o Governo assegurou a "continuidade dos serviços".
Face às críticas, o ministro reconheceu que a eficácia e rapidez dos meios de comunicação poderão ser avaliadas no futuro.
"Temos de avaliar a rapidez e eficácia destes meios? Sim", admitiu. "Agora, se hoje, enquanto país, estamos sobretudo focados a discutir a dimensão da comunicação, é porque a resposta operacional foi assegurada".
Questionado ainda sobre a alegada ausência de informação oficial durante várias horas, Leitão Amaro rejeitou a ideia de silêncio por parte do Governo.
"Eu próprio, 30 minutos depois do evento, estava a comunicar ao país através de contacto com todas as rádios e televisões", afirmou, referindo que a comunicação foi feita com base nos meios considerados mais adequados no contexto de falhas elétricas: "Num protocolo como este, o meio mais eficaz para chegar às pessoas é a rádio, como se provou durante o dia".
O ministro explicou que, numa fase inicial, o Executivo de Luís Montenegro procurou transmitir três mensagens: explicar o que estava a acontecer, garantir que a prioridade era o restabelecimento da energia e dos serviços críticos, e apelar à tranquilidade, pedindo à população que evitasse consumos excessivos.
"Conseguimos reiniciar o nosso sistema mais rápido" do que Espanha
Leitão Amaro destacou ainda que Portugal conseguiu reativar o sistema elétrico mais rápido do que Espanha, com recurso à produção de energia nas centrais de Castelo de Bode e Tapada do Outeiro, as únicas com capacidade de 'black start', ou seja, um sistema de arranque autónomo que funciona mesmo quando toda a rede está indisponível.
"Conseguimos, sem termos - ao contrário de Espanha - o apoio de França e Marrocos, reiniciar o nosso sistema mais rápido", apontou. "Acho que foi uma resposta espantosa da parte do país, dos trabalhadores, do civismo da população e das forças de segurança", elogiou.
"SIRESP é claramente um dos aspetos a melhorar"
Sobre o sistema de comunicações de emergência, o SIRESP, Leitão Amaro admitiu que é uma das falhas que precisa de ser resolvida e para a qual o Governo já procurava soluções.
"O SIRESP é claramente um dos aspetos a melhorar. Já tínhamos um projeto de reestruturação a circular entre os ministérios, para o integrar na rede nacional de segurança interna e requalificar as infraestruturas", revelou.
O Governo pediu ainda à Agência Europeia da Energia para conduzir uma auditoria às causas do apagão, afastando a hipótese de ciberataque em território nacional. Apesar de ter sido pedida por Luís Montenegro, essa investigação seria obrigatória pela lei europeia.
Tal como já tinha sido comunicado pelo primeiro-ministro, em conferência de imprensa, esta terça-feira, Leitão Amaro reafirmou a vontade do Governo em aumentar o número de centrais com capacidade de "black start".
