80 pessoas que vivem na rua em Évora estão a receber apoio do projeto Invisibilidade. Numa semana em que os termómetros chegaram aos 40 graus, acompanhámos uma das rondas pela cidade para perceber os principais desafios enfrentados por quem vive na rua.
Sem pouso certo, Domingos desenrasca-se como pode. Neste momento, ocupa uma casa em ruínas num terreno agrícola, na cidade de Évora.
O calor aperta durante o verão. Nestes últimos dias, registaram-se temperaturas acima dos 40º. Difícil de aguentar, mas é quem não tem um teto quem mais sofre.
"À noite quando lá dentro é uma estufa. Além de não ter portas nem janelas é uma estufa. Acumula o calor ali."
As horas de maior calor são passadas pelas ruas e jardins da cidade à procura da sombra mais fresca.
Sem ninguém na vida que lhe dê a mão, encontrou no projeto Invisibilidade um apoio.
"Se não fossem estas pessoas já tinha morrido à fome ou tinha de roubar qualquer coisa para comer ou tinha que ir à capoeira das galinhas. Felizmente tenho um saco cheio de comida para hoje e ainda me sobra."
As rondas de apoio às pessoas em situação de sem-abrigo, em Évora, tornam-se diárias durante as semanas de maior calor.
É a vez de ajudar Joana, nome fictício, que vive com a sua filha.
"Vivemos numa casa abandonada. Não está fácil porque em termos de clima passamos aqui muito calor. É horrível. Água fresca não há, só com esta ajuda. Passamos aqui dias em que é muito complicado."
Pela cidade, encontramos vários locais com objetos pessoais de quem não tem teto para viver. Mas as casas abandonadas acabam também por ser uma opção para as pessoas em situação de sem-abrigo.
Atualmente, estão sinalizadas e com acompanhamento 80 pessoas em situação de sem-abrigo na cidade de Évora. A tendência é que o total deste ano aumente face a 2024 em que foram apoiadas 116.
