Nos últimos cinco anos, os hospitais e centros de saúde sinalizaram 554 casos de negligência com recém-nascidos e bebés com menos de dois anos. Entre 2020 e 2024, 60 dessas crianças foram abandonadas ainda nos primeiros seis meses de vida.
Segundo dados da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, citados pelo jornal Público, a negligência é a categoria de perigo com maior número de sinalizações feitas por profissionais de saúde.
O número de casos comunicados por hospitais e centros de saúde mais do que duplicou neste período: passou de 69, em 2020, para 172, em 2024.
Muitas vezes, trata-se de situações em que os pais ou cuidadores não cumprem o plano de saúde da criança, como a vacinação ou a administração de medicação nos prazos recomendados. Mas há também situações mais graves.
Os casos sinalizados como negligência grave aumentaram 12%, ultrapassando os 350. Nesses casos, está em causa não apenas a saúde física das crianças, mas também a sua estabilidade emocional e afetiva.
Além da negligência, os profissionais de saúde reportaram ainda situações de consumo de estupefacientes, violência doméstica, consumo de álcool e exposição a comportamentos que colocam em risco o bem-estar das crianças.
Apesar do aumento das sinalizações, as medidas aplicadas para resolver os problemas identificados caíram de 56% em 2020 para 42% em 2024.
As Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) só intervêm depois de ser comunicada uma situação de perigo e de ser aberto um processo de promoção e proteção.
