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Centro social em Castelo de Paiva com salários em atraso desde maio, cuidado a idosos comprometido

Mesmo sem ver ordenado no fim do mês, funcionárias vão, há vários meses, trabalhar todos os dias. Mas admitem que tem havido já falhas nos cuidados aos idosos.

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Mais de 70 funcionários de um centro social de Castelo de Paiva têm vários meses de salários em atraso. Alguns estão sem receber ordenado desde maio e admitem falhas no cuidado aos idosos do lar. A instituição justifica o atraso no pagamento com um erro da Segurança Social.  

Há vários anos que o salário chegava sempre um mês atrasado. Mas, desde maio, agravou-se a falta de pagamento dos ordenados no Centro Social do Couto Mineiro do Pejão, em Castelo de Paiva. 

A instituição tem lar e faz domicílios, no total apoia 90 idosos. Na infância, desde o berçário ao ATL, o centro é frequentado por 130 crianças. Os salários em atraso afetam, neste momento, todos os 74 funcionários. 

Direção admite problemas financeiros

A direção da IPSS de Couto Mineiro admite as dificuldades financeiras da instituição e confirma que deve dezenas de milhares de euros em ordenados. 

As dívidas da instituição agravaram-se entre 2013 e 2017, com uma obra feita no edifício do lar de idosos. O buraco das contas foi ficando mais fundo. E estende-se já aos fornecedores. 

Uma parte das funcionárias, mesmo sem ver ordenado no fim do mês, há vários meses, continua a ir trabalhar todos os dias. Mas admitem que tem havido já falhas nos cuidados aos idosos. 

Segurança Social fez penhora indevida

A IPSS diz que fez uma hipoteca bancária de parte do edifício. Acertou contas com o banco e já tem uma certidão de não dívida. Mas, quando foi depositado na conta o valor mensal das comparticipações sociais, foi retirado de imediato pela Segurança Social. É esse valor que o Centro Social diz que está retido e impede o pagamento de salários e de dívidas. 

O Centro Social do Couto Mineiro do Pejão admite que a situação será insustentável a partir da próxima semana, se o dinheiro não for, entretanto, desbloqueado.

Contactada pela SIC, a Segurança Social assume que, devido a um lapso do sistema bancário, fez uma penhora indevida de quase 73 mil euros. Estima autorizar e restituir à IPSS a totalidade da verba durante a próxima semana. Ainda assim, lembra que a IPSS mantém com a Segurança Social uma dívida superior a 303 mil euros.