Esta segunda-feira, o Parlamento arquivou a queixa de Pedro Frazão contra Hugo Soares sobre alegadas ameaças físicas durante o plenário do dia 17 de setembro. Contrariamente ao que Chega alegava, o líder parlamentar do PSD não usou a palavra "porrada", mas sim "morada”. Em entrevista à SIC Notícias, esta segunda-feira, o líder explica o que o levou a exaltar-se na Assembleia da República.
Confrontado com o episódio que espoletou todo este caso, Hugo Soares assume que não se orgulha da sua postura exaltada, mas entende que o ambiente na Assembleia da República tem sido marcado pela “falta de urbanismo e elevação”, o que leva à “exasperação das várias bancadas”.
“Isto acontece repetidamente, ora com o deputado Rui Tavares, do Livre, e a bancada do Chega, ora com deputados do PSD e a bancada do Chega, ora com deputados do PS e a bancada do Chega. Isto acontece porquê? Há, de facto, dois ou três deputados do Chega, vão vale a pena estarmos a fugir à conversa e a escamotear, que são completamente irascíveis do ponto de vista comportamental. Não permitem que os deputados possam usar da palavra, interrompem constantemente, fazem apartes que são regimentais, mas que não são de concordância ou discordância são até descortesia e mal-educados, quando não são insultuosos como muitas vezes se tem visto”, denuncia.
Acerca do caso que motivou a queixa de Pedro Frazão, o líder parlamentar dos sociais-democratas justifica que “um deputado” do Chega interrompeu-o “repetidamente” durante a sua intervenção “com provocações constantes”:
“O que eu lhe disse foi uma alusão, que todos conhecem, a uma das cenas mais tristes da política portuguesa. Foi o deputado em causa ter-se dirigido à casa onde o primeiro-ministro habita para fazer um Tik Tok – muito em voga na política do Chega – e pôr cartas na casa do primeiro-ministro a insultá-lo. E aquilo que eu lhe estava a dizer era precisamente isso: que fosse fazer o mesmo a minha casa, obviamente a ironizar.”
O deputado considera que debate no Parlamento sempre “foi crispado”, no entanto entende que, agora, “o tom das ameaças e dos insultos” é outro.
“O que o Chega quis fazer foi um vídeo, que fez e publicou nas redes sociais, mudando aquilo que eu disse, dizendo que eu disse ‘vais levar porrada’, uma expressão que não uso e que não usaria”, aponta.
Mais uma vez, faz ‘mea culpa’ e assume que se excedeu:
“Eu reconheço que podia ter tido outro comportamento, reconheço que muitas vezes a paciência se esgota, reconheço que eu era incapaz de mentir, era incapaz de mentir ou falsear qualquer tipo de vídeo para poder prejudicar um adversário político. Foi isso que quiseram fazer comigo? Felizmente, o Parlamento, de forma muito clara, de forma muito transparente, com as regras que devem ser cumpridas, resolveu o problema.”
“Portugal precisa de uma lei de estrangeiros que regule efetivamente a imigração”
Outro tema abordado durante a sua passagem pela SIC Notícias foi a nova versão da lei dos estrangeiros apresentada Governo.
Sobre esta matéria, Hugo Soares, defende que “Portugal precisa de uma lei de estrangeiros que regule efetivamente a imigração”, mas teme que a mesma não possa avançar “por duas razões opostas”:
“Uma, porque o Chega tem uma posição demasiado extremista nesta matéria, como todos sabemos. E coloca uma imposição, que o deputado André Ventura hoje colocou na Praça Pública, não é forma, digo eu, de levar as negociações até ao fim, que tem a ver com o facto de os imigrantes ficarem afastados cinco anos de prestações sociais [...] Já o Partido Socialista, aparentemente parece-me continuar a querer negar que há um problema. O Partido Socialista aparentemente quer negar a realidade, não assumindo a responsabilidade que tem nesta matéria, de que há um problema com a imigração em Portugal.”
Já sobre as autárquicas, que acontecem dentro de duas semanas, o líder parlamentar diz-se confiante de que o PSD irá fazer um bom resultado. Bom resultado esse que será atingido se os sociais-democratas ganharam “mais Câmaras do que o PS”.
“Se não ganhar o total, se não ganhar a maioria das Câmaras, considero que o PSD perdeu as eleições porque o Partido Socialista tem mais câmaras do que nós.”