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Nuno Melo diz ser "boa notícia" o regresso dos portugueses na flotilha "panfletária"

Apesar disso, mantém declarações de que flotilha humanitária foi "gesto panfletário" e irresponsável.

O presidente do CDS-PP, Nuno Melo (2-E), acompanhado pela candidata à Câmara Municipal de Almada, Ana Clara Birrento (E), durante uma ação de campanha no âmbito das próximas eleições autárquicas do dia 12 de outubro, em Almada, 29 de setembro de 2025.
O presidente do CDS-PP, Nuno Melo (2-E), acompanhado pela candidata à Câmara Municipal de Almada, Ana Clara Birrento (E), durante uma ação de campanha no âmbito das próximas eleições autárquicas do dia 12 de outubro, em Almada, 29 de setembro de 2025.
António Cotrim / LUSA

O presidente do CDS-PP disse este domingo em Vale de Cambra que será "uma boa notícia" o regresso dos portugueses detidos por Israel, embora mantenha que a flotilha para Gaza foi um "gesto panfletário" que não resolveu nenhum problema humanitário.

À margem de um comício no referido concelho do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, o líder nacional do partido reagia às recentes acusações do ex-presidente da Assembleia da República Eduardo Ferro Rodrigues, que o acusou de "enorme gravidade e irresponsabilidade" ao considerar apoiantes de terroristas os quatro portugueses detidos em Israel a bordo de uma flotilha humanitária rumo à Palestina - entre os quais Mariana Mortágua, coordenadora do BE.

"Mal seria se eu, presidente do CDS, tivesse que pedir autorização a Ferro Rodrigues para me pronunciar sobre aquilo que para mim e para o CDS faz todo o sentido, porque é totalmente lógico", declarou Nuno Melo.

"Sim, o Hamas é uma organização terrorista, como tal considerada desde logo pela União Europeia. Qual é a dúvida de Ferro Rodrigues?", acrescenta o líder do CDS-PP, sobre a organização que em 2023 foi autora do atentado em Israel que originou a posterior guerra em Gaza.

Insistindo que "o CDS é um partido onde a liberdade se pratica" e que não está "sob tutela", Nuno Melo afirmou: "Nós dispensamos muito bem todos os tiques de quaisquer pequenos aprendizes de Lenine e, sim, o que se acha no CDS e se afirma - com direito a essa expressão, que é livre - é que a flotilha foi um gesto panfletário que não resolveu em nada os problemas humanitários".

Para Nuno Melo, que é também ministro da Defesa Nacional, a iniciativa dos quatro portugueses representa riscos para Portugal enquanto estado: "Quando alguns movimentos mais radicais se congregam para atacar os nossos aliados -- a NATO e aqueles de quem dependeremos se alguma vez precisarmos -- os principais beneficiários são, por exemplos, os `proxys´ do Irão. (...) Por isso, Ferro Rodrigues representa aquela ala um bocadinho mais radical à esquerda do PS -- o que não será um problema para o CDS e, quando muito, é-o para a atual liderança socialista".

Quanto à deportação por Israel dos quatro portugueses, cuja chegada a Portugal foi anunciada para hoje à noite, Nuno Melo refere que, "se eles chegarem, é uma boa notícia", mas admite maiores expectativas quanto ao seu comportamento daí em diante.

"Todos nós desejamos que aqueles que foram detidos - e que saberiam [antes da viagem] que, sendo Israel um estado de direito, a detenção seria um destino provável - sejam agora devolvidos ao seu país. Já fizeram o seu número, a sua proclamação política", começa por afirmar o líder do CDS.

"Mas espero que não se venham agora juntar a algumas manifestações como aquela onde vi, entre outras coisas, cartazes a dizer 'Israel não devia existir', por acharem que, sendo a favor da Palestina, têm que extinguir o estado de Israel", remata.

Para Nuno Melo, importante é que os reféns do Hamas "sejam devolvidos às suas famílias em Israel" e que, tanto aí como em Gaza, as agressões terminem e "exista paz".

Sobre novas manifestações, diz defender o direito a elas, mas, questionado sobre a possibilidade de a Esquerda estar a inflamar esses protestos, diz que tais iniciativas devem cumprir as regras de um Estado de direito, "onde todos podem falar sem que, para isso, terem que silenciar o outro".

"O CDS não aceita que uma manifestação seja transformada em intimidação e (...) prejudique outras pessoas que querem viver a sua vida", conclui, com uma promessa: "Nunca me verão em nenhuma manifestação em que se diga que um país tem que deixar de existir e que esse povo terá que rumar a outro lado qualquer".