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PJ deteve 250 suspeitos de cibercrime desde o início do ano

Só este ano, a Polícia Judiciária deteve 250 suspeitos de crimes informáticos. O diretor da PJ critica a decisão que declarou a lei dos metadados inconstitucional, garantindo que os principais beneficiários são as redes criminosas altamente organizadas.

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O cibercrime é uma realidade cada vez mais presente. Só este ano, a Polícia Judiciária (PJ) deteve 250 suspeitos de crimes informáticos. Estes grupos criminosos utilizavam pelo menos 20 métodos distintos para atacar sistemas e roubar dados.

De acordo com Luís Neves, diretor da Polícia Judiciária, "as organizações criminosas têm cada vez mais meios e mais tecnologia e muito dinheiro (...) e nós que combatemos o crime estamos parados nos meios legais".

Os detidos terão levado a cabo centenas de ações criminosas, resultando em lucros que ascendem a milhões de euros. As detenções estão relacionadas com três grandes operações, algumas das quais realizadas em colaboração com organismos internacionais, como a Europol.

"O avanço do crime, a complexidade do crime, a violência do crime um dia vai colocar-nos a todos a termos acesso a esses meios de obtenção de prova. O que é certo é que até lá muitos crimes serão cometidos e muitas dificuldades nós teremos para combater o crime de uma forma geral", alertou.

O diretor da PJ voltou a insistir na importância de um ponto que considera fundamental: a lei dos metadados. Dados que permitem perceber quem contacta quem, quando e a partir de onde. Há dois anos, essa legislação foi considerada inconstitucional, por se entender que violava o direito à privacidade dos cidadãos.

Luís Neves acredita que esta decisão enfraquece significativamente o combate ao crime e manifesta esperança de que a justiça possa ainda reverter a situação.

"Não queremos ter acesso à privacidade de informação sobre a privacidade do cidadão, queremos ter acesso à informação daqueles que são suspeitos (...)", afirmou.

Entre 2024 e 2025, esta unidade da Polícia Judiciária abriu cerca de seis mil inquéritos, que, segundo Luís Neves, não podem ser arquivados. Os resultados das operações são expressivos: a PJ apreendeu centenas de milhões de euros, sendo grande parte desse montante constituído por carteiras de criptoativos.