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"Qual é a percentagem de mulheres que usa burca?": portuguesa muçulmana diz que há matérias mais urgentes para tratar

A proibição do uso de burca em espaços públicos pode violar a Constituição portuguesa. O projeto de lei foi aprovado, na generalidade, com os votos da direita parlamentar. A SIC ouviu uma portuguesa muçulmana, fundadora do projeto Alma Portuguesa Fé Islâmica, que lamenta a atenção dada pelos políticos a um assunto que, em Portugal, diz respeito a um número tão reduzido de mulheres.

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Zohra Lodhia, tem 31 anos, e é filha de pais que viveram em Moçambique antes da independência do país. Nascida em Lisboa, casada, com dois filhos, é co- fundadora do projeto Alma Portuguesa Fé Islâmica e está prestes a terminar o doutoramento em Biologia, na Faculdade de Ciências. Zohra Lodhia é muçulmana.

Diz que nunca foi olhada de forma diferente por usar o hijab, lenço que cobre o cabelo e o pescoço, e que não está abrangido pelo projeto de lei, assim como o chador, que cobre todo o corpo. O que o Chega e a direita parlamentar querem é que seja proibido o uso, em espaços públicos, de roupa que tape o rosto, como o Niqab e a burca.

Este domingo, Marcelo Rebelo de Sousa preferiu não se pronunciar sobre a constitucionalidade do projeto de lei.

Portugal estava no grupo dos 12 países da União Europeia onde não existem proibições relacionadas ao vestuário religioso - até agora.