As joias tinham sido emprestadas, em 2002, pelo Estado português ao museu de Haia para uma exposição. Os assaltantes partiram uma janela no rés do chão, entraram e seguiram até à sala que tinha sido criada especificamente para a exposição. Partiram o vidro de seis dos nove expositores. Em três, estavam as joias da coroa portuguesa.
"Eram as mais valiosas, por coincidência. Os autores deste furto fizeram muito bem o trabalho de casa", afirma João Oliveira, diretor do Instituto de Polícia Judiciária e Ciências Criminais.
O então responsável pela brigada de obras de arte da Polícia Judiciária de Lisboa explicou que, por cá, não se investigou o caso, por ter ocorrido fora do país. Mas os indícios de falhas na segurança eram evidentes, mesmo à distância, no assalto que ocorreu de madrugada e durou 40 minutos.
"É muito tempo para um assalto. Sentiriam que havia condições para estarem lá dentro num período de tempo expressivo, sem risco de serem apanhados”, nota.
Os alarmes não funcionaram e os sensores dos expositores estavam desligados. Só de manhã, a empregada de limpeza se apercebeu do que tinha acontecido e deu o alerta.
Que jóias foram roubadas?
Os assaltantes levaram um castão de bengala com 387 brilhantes, um anel com um diamante de 37 quilates, uma gargantilha com 32 brilhantes, dois alfinetes em forma de trevo e um diamante de 135 quilates.
"Pedras desse tamanho no planeta são muito difíceis de encontrar e têm um valor económico bastante avultado. É muito difícil de encontrar diamantes acima de 100 quilates", aponta António D’Almeida Lino, gemólogo.
Podem ter sido vendidas assim como eram ou não. Há casos em que são retiradas partes das joias para serem vendidas em separado ou tranformadas, para não serem identificadas.
Noutros casos, as joias não são transformadas nem vendidas, à espera que a seguradora aceite pagar um resgate. Não terá sido o caso.
Uma indemnização de 6 milhões
Em 2006, Portugal recebeu 6 milhões de euros de indemnização pela perda destas joias históricas.
"É inquantificável. Quando se rouba uma peça que é um símbolo nacional, não tem preço”, diz António D’Almeida Lino.
Do dinheiro que chegou a Portugal, quase 5 milhões serviram para erguer o novo Museu do Tesouro Real, no Palácio da Ajuda. É lá que estão as peças que não foram roubadas. Desta vez, sem política de empréstimos a outros museus. Com fortes medidas de segurança.
Têm sido vários os roubos de joias de valor em museus. Uns mais mediáticos que outros. O do Louvre foi talvez o mais surpreendente, já que era considerado um dos museus mais seguros do mundo. Em menos de 4 minutos, os assaltantes entraram e roubaram quase 90 milhões de euros em joias. Mas o valor histórico das oito peças roubadas é inestimável. Como era o das joias da coroa portugesa desparecidas desde 2002.
"Não sabemos se a nossas joias da coroa ainda permanecem tal e qual como elas eram. Podemos especular, obviamente, mas nunca vamos saber exatamente o que lhes aconteceu até que a história se faça", declara o gemólogo Rui Galopim de Carvalho.