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Narcotráfico: detidas 10 pessoas a 50 quilómetros do Guadiana

Já terminaram as buscas no Guadiana. Cinco dias depois da morte do militar da GNR durante uma operação ainda não há qualquer indício sobre os tripulantes da lancha que se acredita estar ligada ao narcotráfico.

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As imagens foram divulgadas esta sexta-feira pela Guardia Civil. Dez pessoas foram apanhadas em flagrante quando descarregavam 88 fardos de haxixe na zona de Huelva. Três toneladas e meia, movimentadas a apenas 50 quilómetros do Guadiana, onde na segunda-feira uma outra lancha suspeita apareceu nos radares da Unidade de Controlo Costeiro e Fronteiras da GNR.

Na perseguição, os presumíveis traficantes abalroaram a embarcação do destacamento de Olhão, causando a morte imediata do GNR Pedro Silva.

As cerimónias fúnebres do militar da GNR decorreram esta sexta-feira, com a presença da ministra da Administração Interna e o presidente da República.

Parte dos restos mortais só foram recuperados do rio já depois do funeral e após quatro dias de busca. Serão agora analisados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal.

A investigação do caso prossegue com a Polícia Judiciária à procura de pistas que levem à identificação dos autores do abalroamento e possam confirmar as suspeitas de ligação ao tráfico de estupefacientes.

A lancha em causa acabou por se incendiar e está agora a ser alvo de perícias. Os tripulantes, que se presume possam ser até quatro, terão fugido a pé, à semelhança do que tentaram os detidos na mais recente operação de descarga intercetada ali ao lado, em Huelva.

A zona do Guadiana, parte do Algarve e da Bacia de Cádiz, tem sido destino recorrente de redes internacionais que fazem entrar por aqui muitas toneladas de haxixe e pólen de haxixe, com origem em Marrocos.

Os desembarques jogam com as marés, as noites mais escuras e vigilância às movimentações das autoridades dos dois lados da fronteira.

A cooperação entre Portugal e Espanha tem também por isso sido mais afinada. No último incidente, no Guadiana, logo após a colisão com a lancha da GNR, a Guardia Civil colocou meios no terreno, incluindo um helicóptero e buscas nas margens espanholas do rio, para reforçar a caça ao homem.

Do lado português, estiveram envolvidos nas buscas elementos da GNR, da Autoridade Marítima, Bombeiros e Judiciária.

Foram efetuadas operações de controle de tráfego, revistadas bagageiras das viaturas que circulavam nas imediações de Alcoutim e da Ponte Internacional do Guadiana.

Dois espanhóis, detetados numa dessas operações e que tinham antecedentes criminais, chegaram a ser inquiridos pela PJ e constituídos arguidos num outro processo.