Quase metade, 41%, dos imigrantes em Portugal são sobrequalificados, ou seja, têm formação superior, mas trabalhos para os quais são necessárias qualificações médias ou baixas.
É uma percentagem bastante mais alta do que a dos portugueses nascidos em Portugal: 12% dos portugueses têm qualificações a mais. A diferença entre uns e outros, de 29%, está ligeiramente acima da média dos restantes países da OCDE.
O relatório faz uma espécie de ranking. A taxa de sobrequalificação dos imigrantes é "(...) particularmente alta na Itália e na Noruega, bem como em Portugal e na Suécia". É ainda "relativamente mais baixa na Áustria e na Alemanha e próxima de zero no Canadá e nos Estados Unidos".
Há outro número no documento da OCDE que pode ajudar a explicar esta questão: 57% dos imigrantes que escolhem Portugal para trabalhar são absorvidos pelos setores económicos com salários mais baixos, como é o caso do alojamento, restauração e construção.
Acresce que, em grande parte dos casos, trabalham também para empregadores que pagam menos. Mas não é exclusivo de Portugal.
Em 15 países, ao entrarem no mercado de trabalho, os imigrantes ganham, em média, menos 34% do que os nacionais da mesma idade e sexo.
A OCDE deixa um aviso. Os fluxos migratórios ajudam a colmatar a falta de mão de obra e reforçam as economias.
Por isso, os empregadores têm um papel fundamental na integração dos imigrantes. Mas os países têm também de fazer a sua parte e simplificar a avaliação e reconhecimento das qualificações obtidas no estrangeiro, bem como apoiar a aprendizagem da língua, e a procura de emprego.