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Hospital de Gaia faz primeiro implante de coração artificial

O aparelho em causa custa 90 mil euros e é alimentado por baterias externas que o doente tem de carregar todos os dias. A equipa do hospital português teve formação do Hospital Universitário de Santiago de Compostela.

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O Hospital de Gaia fez o primeiro implante de coração artificial naquela unidade hospitalar, numa doente com insuficiência cardíaca avançada. O Norte do país passa a ter mais um centro de referência para esta terapêutica, cada vez mais usada a nível mundial.  

Aos 69 anos, Maria Luísa prepara-se para um novo pulsar de vida. "Vou ter um coração novo", diz. “É um bocadinho assustador, mas acho que vai dar certo.” 

Tem insuficiência cardíaca avançada, o que lhe dá falta de ar, muito cansaço, e a obriga a ter um desfibrilhador, para prevenir o risco de morte súbita. O transplante cardíaco não é indicado pela idade. Em alternativa, vão colocar-lhe no coração uma espécie de bomba mecânica. 

"É uma alternativa terapêutica cada vez mais utilizada, a nível mundial, para doentes com insuficiência cardíaca avançada”, explica Pedro Teixeira, cardiologista do Hospital de Gaia. 

"Vai ganhar qualidade de vida. Tem insuficiência cardíaca avançada, com impacto no cansaço, falta de ar, necessidade de muita medicação,... Tudo vai melhorar com ajuda desta bomba”, garante Paulo Neves, diretor do serviço de Cirurgia Cardiotorácica do Hospital de Gaia. 

O HeartMate 3, um aparelho que custa 90 mil euros, é alimentado por baterias externas que o doente terá de carregar todos os dias. 

"Insuficiencia cardíaca é problema de saúde pública em Portugal

Este é o primeiro implante de coração artificial feito na Unidade Local de Saúde Gaia/ Espinho. A equipa no bloco teve formação com o Hospital Universitário de Santiago de Compostela.  

O implante de coração artificial é ainda pouco usado em Portugal, quando comparado com outros países do Centro e Sul da Europa. Em média, por ano, são cerca de dez os doentes com acesso a esta cirurgia. 

"A insuficiencia cardíaca é um problema de sde pública em Portugal”, sublinha o cardiologista Pedro Teixeira. “Um serviço cardiologia e um SNS, para se projetarem em 10 ou 20 anos, não pode passar ao lado deste tipo terapêuticas.” 

O Hospital de Gaia é agora o quinto centro de referência do país a fazer o implante de coração artificial.