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Detidas duas mulheres responsáveis pela inscrição fraudulenta de milhares de imigrantes no SNS

Os imigrantes compravam um pacote de serviços a uma organização para ficaram legais. Em cerca de um ano e meio, as duas funcionárias, que recebiam a identificação dessas pessoas, registaram no SNS mais de 10.000 cidadãos estrangeiros de maneia fraudulenta.

(Arquivo)
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A Polícia Judiciária (PJ) deteve duas mulheres, funcionárias administrativas de uma Unidade de Saúde Familiar (USF), "responsáveis pela inscrição fraudulenta de milhares de imigrantes no Sistema Nacional de Saúde (SNS)".

Os imigrantes compravam um pacote de serviços a uma organização para ficaram legais. Em cerca de um ano e meio, as duas funcionárias, que recebiam a identificação dessas pessoas, registaram no SNS mais de 10.000 cidadãos estrangeiros de maneia fraudulenta.

Depois, a organização pagava às duas mulheres, que nunca lideram diretamente com os imigrantes envolvidos - a maior parte deles já saiu do país, mas ficou com o acesso ao Cartão Europeu de Saúde, um dos principais objetivos.

No âmbito da operação “Gambérria”, dedicada ao desmantelamento de uma rede de auxílio à imigração ilegal, foram realizadas duas buscas domiciliárias e uma busca à Unidade de Saúde Familiar (USF), onde as duas suspeitas exerciam funções, adianta a PJ numa nota enviada às redações.

As provas encontradas "inequivocamente correlacionam as detidas, com a prática, entre outros, dos crimes de corrupção passiva, associação de auxílio à imigração ilegal e falsidade informática".

Foi apreendido "um enorme acervo de documentação utilizada em processos de atribuição de forma indevida" de números de utente (Número Nacional de Utente), que permitem consolidação do processo de legalização em território nacional e a garantia de assistência médica através do SNS.

As mulheres, de 40 e 54 anos, foram detidas em cumprimento de mandados de detenção emitidos pelo DIAP Regional de Coimbra. "Serão oportunamente presentes no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), tendo em vista a aplicação de medidas de coação", acrescenta a PJ.

No âmbito da Operação “Gambérria” foram detidas até ao momento 16 pessoas e constituídas arguidas outras 26, entre as quais sete empresários, uma advogada e uma funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros.