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Moedas aprova regimento da Câmara que limita intervenções da oposição

A esquerda criticou o novo regimento e o PS pondera mesmo impugnar a aprovação. Uma aprovação conseguida graças ao apoio do Chega. Em resposta às críticas, Moedas diz que a oposição tem de aceitar quem ganhou as eleições.

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A presidência do Conselho que integra os 18 municípios da região volta a ser da capital depois de ter estado nas mãos dos autarcas socialistas da Amadora e de Sintra. Desta vez é Carlos Moedas à frente da Área Metropolitana de Lisboa.

A lista era única e Moedas fez por congregar a sensibilidade partidária ao atribuir a vice-presidência aos autarcas de Vila Franca de Xira, do PS, e de Palmela, da CDU. Teve aprovação de 92,8%.

Numa primeira reunião do Conselho da AML após as autárquicas, depois de o novo elenco municipal ter feito passar um novo regimento da Câmara, levantaram-se as críticas dos partidos da esquerda. Em causa um regimento que limita as intervenções dos vereadores da oposição.

"Os partidos políticos têm que aceitar a democracia, aceitem o resultado eleitoral que tivemos em Lisboa, aceitem que eu sou o presidente da Câmara de Lisboa, e sobretudo aceitem aquilo que são os parceiros jurídicos da própria Câmara Municipal, dos seus funcionários, dos juristas", afirma Carlos Moedas em declarações à SIC Notícias.

O que a oposição acusa o presidente da Câmara de fazer é de limitar as intervenções dos vereadores, quer no tempo, quer na discussão de assuntos.

O autarca desvaloriza essas acusações, salvaguardando que, o seu "intuito é sobretudo a parte do conteúdo da política, que é estar com as pessoas", pelo que, defende "gostava que as reuniões de Câmara fossem mais eficientes, e que não sejam de horas e horas e horas".

Só o Chega acompanhou o Executivo. Moedas diz que é a democracia.

"Eu sou presidente da Câmara, o Executivo foi eleito democraticamente. (...) aliás, viu-se isso também nessa reunião em que vimos o próprio Partido Comunista a dialogar com o Chega, o Bloco de Esquerda a dialogar com o Chega, portanto, quem estava a dialogar com o Chega no começo dessa reunião e a tentar, de certa forma, até influenciar o voto desses vereadores, não era a coligação", argumentou.

O PS admite uma impugnação judicial, enquanto o presidente da Câmara de Lisboa vai falando em ambição na área metropolitana, promete mais mundo e fundos comunitários e lançou já a ideia de organizar uma cimeira em conjunto com a área metropolitana do Porto.