Há um ano, PS e Chega uniram-se à revelia do governo para aprovar uma alteração ao Orçamento do Estado que previa um aumento geral das pensões. Este ano, a oposição voltou a pressionar uma subida das reformas, mas sem união, as propostas não avançaram.
A iniciativa do Chega para um aumento extra de 1,5% para as reformas até pouco mais de 1.560 euros foi rejeitada com a abstenção do PS.
Foi também chumbada a proposta socialista que queria que um eventual suplemento, a ser pago pelo Governo no próximo ano, fosse convertido num aumento permanente para contar para a formação das pensões de 2027. Toda a direita rejeitou.
"O Partido Socialista o que é que faz? Uma artimanha. Como não quer, na verdade, causar nenhum melindre com o governo, faz uma proposta de atualização de pensões, mas faz depender isso, ou liga isso, à não descida do IRC, sabendo que isso é estruturalmente contra aquilo que nós pensamos", afirmou André Ventura, presidente do Chega.
A única proposta relativa às pensões que teve luz verde foi a do PSD. Esta prevê que o Governo pague um suplemento extraordinário no próximo ano, mas só se existir folga orçamental. O Chega e o PAN votaram ao lado do PSD.
"Eu também quero aumentar de forma permanente as pensões mais baixas, mas para isso o país tem de crescer também de forma permanente a um ritmo maior do que cresce agora", esclareceu o primeiro-ministro Luís Montenegro.
O Governo já tinha explicado que não queria abdicar das "contas certas" e avisou que alterações substanciais ao orçamento, como o aumento extra das pensões, iriam pôr em risco o excedente previsto de 0,1%.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirma que "haver uma folga para o ano que vem, é melhor do que não haver folga", isto porque em 2026 "cai uma parte dos juros dos empréstimos para o PRR".
Há mais medidas que podem avançar contra a vontade do Governo. O Chega já garantiu que viabiliza as propostas do PS para o fim das portagens da A6 e nos troços da A2 que servem um Alentejo para residentes e empresas da região.