Continua o braço de ferro entre o Governo e os sindicatos sobre a reforma laboral. O Primeiro-Ministro já admite chamar a si as negociações, ainda que assuma ser "impossível que todos estejam de acordo sobre tudo".
"A base do acordo significará sempre uma cedência de cada um", assumiu Luís Montenegro.
Alguém tem que ceder se o objetivo for chegar a acordo. A UGT pediu mais tempo, o Governo concordou, mas a greve mantém-se e a central sindical já entregou o pré-aviso para a paralisação.
Mário Mourão, secretário-geral da UGT, garante que "até o dia 11", estão "totalmente disponíveis para o diálogo e para a negociação". A UGT até admite desconvocar a greve, mas só com um novo começo.
"Não é dizer que não há reforma laboral, o Governo foi eleito, teve a confiança da maioria dos portugueses, não é nada disso. No nosso entender o processo não começou muito bem, gostaríamos que tivesse começado de outra forma, se calhar retirar a proposta, refletirmos todos, começarmos todos de novo", admitiu o secretário-geral.
Mas o Governo não dá sinais de querer retirar a proposta e Luís Montenegro sublinha que o momento de fazer a reforma das leis do trabalho é agora.
"Nós não temos nenhuma intenção de estar a prejudicar direitos dos trabalhadores. Nós queremos que, como um todo, a legislação laboral seja suficientemente flexível para estimular o crescimento económico. Nós podemos olhar para esta evolução exatamente agora, e não é numa altura de dificuldade - onde as pessoas estão sob pressão, onde há uma grande taxa de desemprego, onde há restrições, onde há muitos impostos - que nós devemos, em cima disso, ter ainda uma alteração laboral que, por ventura, possa significar algum esforço", afiança o Primeiro-Ministro.
Para além da CGTP e UGT, dezenas de outros sindicatos estão a aderir ao protesto. A UGT já afastou a hipótese de dois dias de greve e garante que nunca esteve realmente em cima da mesa.