O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, propõe, nas comemorações dos 50 anos do 25 de Novembro, elevar Ramalho Eanes a general-marechal.
Na sessão solene do 25 de Novembro, Marcelo Rebelo de Sousa propõe elevar o antigo Presidente da República António Ramalho Eanes a general-marechal. Diz que se trata de uma "questão de justiça política".
"A mágoa que a história da democracia portuguesa nunca conseguirá explicar de que a humildade do Presidente António Ramalho Eanes não tenha permitido a uma democracia que elevou ao marechalato António Spínola e Francisco Costa Gomes possa, em vida, elevar a marechalato o Presidente António Ramalho Eanes", afirma, na Assembleia da República.

O Parlamento assinala, esta terça-feira, os 50 anos do 25 de Novembro com uma sessão que, dos arranjos florais à configuração do hemiciclo, é igual à que se realizou em 2024 para comemorar os 50 anos do 25 de Abril.
A sessão solene do 25 de Novembro só tem uma diferença relativamente à realizada em 2024 para assinalar os 50 anos do 25 de Abril: em vez de cravos vermelhos, o hemiciclo será decorado com rosas brancas.
Já no breve discurso na parada militar na Praça do Comércio, em Lisboa, organizada para assinalar os 50 anos do 25 de Novembro de 1975, destaca o 25 de Abril como a "data primeira", "sem a qual não teria havido Novembro de 1975", mas salienta que, sem o 25 de Novembro, não teria havido a Constituição de 1976.
Marcelo Rebelo de Sousa destaca que Ramalho Eanes foi um "Capitão de Abril de 1974, Abril sem o qual não teria havido Novembro de 1975", e o "chefe militar de Novembro de 1975, Novembro sem o qual não teria havido a Constituição de 1976".
Continuando a assinalar o percurso de Ramalho Eanes, Marcelo Rebelo de Sousa diz que o ex-Presidente foi o "Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de 1976, sem o qual não teria havido a transição da legitimidade revolucionária para a legitimidade democrática, representativa e eleitoral".
Já o antigo Presidente da República Ramalho Eanes considera "historicamente oportuna a decisão política e militar de rememorar o 25 de Novembro", salientando que não se trata de celebrar a data mas dignificar a instituição militar e a nação.
O antigo Presidente da República e protagonista do 25 de Novembro fez esta afirmação numa mensagem lida na parada militar organizada na Praça do Comércio, em Lisboa, pelo tenente-general Alípio Tomé Pinto, presidente da comissão organizadora das comemorações dos 50 anos do 25 de Novembro, na qual não marcou presença.
Na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa lembra ainda o equilíbrio e a sensatez que diz terem prevalecido no 25 de novembro de 1975 e diz que é uma qualidade que deve ser mantida.

