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Há cada vez menos médicos a preencherem as vagas de Medicina Geral e Medicina Interna

Há menos médicos a candidatarem-se às especialidades de Medicina Geral e Familiar e Medicina Interna. Já Oftalmologia e Dermatologia foram as primeiras a esgotar. A associação de médicos de família pede mais condições para atrair os jovens.

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A poucos dias de terminar o período de candidaturas à especialidade, há dados que sobressaem. Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar, que são das mais carentes em termos de recursos humanos, ainda estão longe de esgotar as vagas.

António Luz Pereira, vice-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, afirma que "é natural que especialidades com menor número de vagas tenham os seus quadros completos", já as especialidades com maior carência têm mais dificuldade.

"Precisaremos de mais mil médicos de família para termos toda a população com médico de família. Temos cerca de 5.500 médicos de família no SNS, precisaremos de cerca de 6.500", indica.

A Associação da especialidade considera que a exemplo do que acontece em muitos países europeus, em que é uma das mais procuradas, é preciso melhorar as condições de trabalho destes médicos para cativá-los. Algumas das propostas são a valorização da carreira médica, a flexibilização dos horários, o número de utentes ou condições se trabalho, tudo condições que cativam esta nova geração de profissionais.

As candidaturas de Oftalmologia e Dermatologia, especialidades com menos vagas, mas onde se ganha mais, foram as que se esgotaram primeiro.

No início da semana, Medicina Geral e Familiar ainda tinha 520 vagas por preencher e Medicina Interna 164, sendo estas especialidades que são a base do sistema de saúde.

Mas, olhando para o quadro geral, também se percebe que das 2.317 vagas disponíveis para 2.375 candidatos, 1.376 que ainda não tinham escolhido e quase 100 tinham desistido.

Os dados também permitem perceber que a nova especialidade de Medicina de Urgência só tinha cinco candidatos. Estes factos devem deixar de sobreaviso quem decide. Para 2026 já se estabeleceram metas de contratação para o SNS abaixo das verificadas este ano.