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Pilotos garantem cumprir serviços mínimos que forem fixados na greve geral de 11 de dezembro

Dirigente sindical explicou que ausência nas reuniões que decorreram com vista à definição de serviços mínimos "não deve, pois, ser interpretada como recusa de princípio ou como qualquer desrespeito pelos restantes sindicatos".

Pilotos garantem cumprir serviços mínimos que forem fixados na greve geral de 11 de dezembro
Walter Geiersperger

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) garantiu que "cumprirá os serviços mínimos que vierem a ser fixados" na greve geral de dia 11, após a publicação de acordos entre sindicatos, a TAP, a Sata e a SPdH.

"O SPAC esclarece que, por motivos de organização interna e de natureza estatutária, não dispunha de condições objetivas para participar nas reuniões que decorreram nas últimas semanas com vista à definição desses serviços mínimos", disse, o presidente do SPAC, Hélder Santinhos, em resposta a perguntas da Lusa.

O dirigente sindical disse que "essa ausência não deve, pois, ser interpretada como recusa de princípio ou como qualquer desrespeito pelos restantes sindicatos que, dentro das suas possibilidades, chegaram a acordo com as companhias".

Segundo Hélder Santinhos, "a greve geral de 11 de dezembro não constitui uma contestação dirigida às companhias aéreas nem, muito menos, aos passageiros", tratando-se, defendeu, de "uma ação de protesto contra políticas laborais e sociais mais amplas".

"Nesse contexto, o SPAC considera absolutamente natural - e aliás legalmente obrigatório - que sejam definidos e assegurados serviços mínimos que garantam a satisfação de necessidades sociais impreteríveis, designadamente as ligações às Regiões Autónomas e alguns voos internacionais essenciais", salientou.

O sindicato assegurou que "cumprirá os serviços mínimos que vierem a ser fixados, quer por acordo com os sindicatos, quer por decisão do Tribunal Arbitral, pondo à disposição as tripulações necessárias para a realização dos voos que forem considerados indispensáveis".

Apelou ainda "à compreensão dos passageiros afetados por eventuais constrangimentos e reafirma o seu compromisso com a segurança e com o serviço público de transporte aéreo, mesmo em contexto de luta sindical".

O SPAC tem marcada uma assembleia-geral extraordinária para 5 de dezembro, para que os pilotos associados decidam se aderem à paralisação.

As companhias aéreas TAP e Sata e a SPdH, de assistência em terra em aeroportos, acordaram com vários sindicatos a realização de serviços mínimos na greve geral, segundo documentos publicados pela DGERT.

No caso da TAP, o acordo divulgado pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) foi com o Sitava - Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, o Sitema - Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves, o SIMA - Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins e o SNPVAC - Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil.

A transportadora contará com três voos de ida e volta para os Açores e dois para a Madeira, e um voo de ida e volta para os seguintes países: Bélgica, Luxemburgo, Reino Unido, Alemanha, Suíça, França, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Estão ainda contemplados três voos de ida de volta para o Brasil e dois para os EUA.

No caso da Sata Internacional, o acordo foi com o Sitava - Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos e com o Sitema.

Foram acordados nove voos da companhia, abrangendo ligações entre o Continente e as Regiões Autónomas e ligações internas entre ilhas.

A SPdH alcançou um acordo com o Sitava e o Sima, depois de ter apresentado uma proposta para assistência a 30% dos voos das companhias suas clientes.

A empresa de 'handling' irá assistir os voos contemplados nos serviços mínimos da TAP e Sata, mais um voo de ida e volta para a Alemanha, operado pela Lufthansa. Assegura ainda a assistência aos voos de regresso à base e cuja partida tenha ocorrido antes do início da greve.