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Principal alvo de buscas da PJ lamenta "impacto fortíssimo" na imagem da marca Vinho Verde

Numa nota de esclarecimento enviada às redações, a comissão lamenta "que este tipo de denúncias seja, sobretudo, lesivo para o trabalho sério de mais de 12 mil viticultores e mais de 400 engarrafadores, com um impacto fortíssimo na imagem da marca Vinho Verde e no trabalho sério desenvolvido pela Região".

Principal alvo de buscas da PJ lamenta "impacto fortíssimo" na imagem da marca Vinho Verde
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A Polícia Judiciária (PJ) realizou quarta-feira no norte do país dezenas de buscas no âmbito da operação "Puro Verde". Um dos alvos das buscas foi a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes que já informou estar a colaborar com o Ministério Público (MP) e com a PJ.

A investigação, iniciada em agosto deste ano, "teve origem numa denúncia". De acordo com a PJ, em causa estaria "um alegado esquema de conluio entre funcionários da Comissão e empresários do setor vinícola (CVRVV), com vista ao favorecimento destes, designadamente, mediante a omissão dos deveres de fiscalização da origem e trânsito das uvas e o seu depósito em adegas e produtores durante a vindima de 2025".

Numa nota de esclarecimento enviada às redações, a comissão informa não ter "conhecimento prévio das ações alvo de buscas" mas que está empenhada em "apurar responsabilidades e esclarecer quaisquer questões que decorrem da investigação".

Diz "compreender que, num momento particularmente exigente para o negócio do vinho, este tipo de denúncias e suspeições sejam comuns e, portanto, alvo de necessário esclarecimento" e que "continuará a trabalhar para que a rastreabilidade e a certificação do Vinho Verde sejam o mais rigorosas possível, cumprindo com os objetivos definidos".

"[Lamentamos] que este tipo de denúncias seja, sobretudo, lesivo para o trabalho sério de mais de 12 mil viticultores e mais de 400 engarrafadores, com um impacto fortíssimo na imagem da marca Vinho Verde e no trabalho sério desenvolvido pela Região", pode ler-se na nota.

Segundo o PJ, o "objetivo seria beneficiar certos operadores económicos através da oferta e aceitação de vantagens, tanto em bens como em dinheiro", revelando ainda que os detidos são: quatro membros da Divisão de Fiscalização e Controlo da CVRVV e quatro empresários do setor de produção e distribuição de vinhos verdes.

Foram ainda constituídos arguidos 17 pessoas singulares e coletivas e apreendidos bens em espécie e numerário. Os detidos vão ser presentes à competente autoridade judiciária no Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial de arguido detido e aplicação de medidas de coação.