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"Estava a tremer de frio e cheia de fome": famílias lutam para recuperar pertences de lar ilegal encerrado em Setúbal

Há cerca de uma semana a Segurança Social fechou um lar na Charneca da Caparica por falta de condições. As famílias continuam sem receber os pertences e as funcionárias têm salários em atraso.

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O correio ainda chega ao antigo lar, mas já não está lá ninguém para o receber. Os pertences dos 42 idosos que estavam hospedados na casa de repouso Santa Eufémia, na Charneca da Caparica, ficaram para trás.

Nos últimos meses, Carlos Abreu, filho de uma ex-utente, começou a reparar em alguns problemas. "A minha mãe estava a tremer de frio no primeiro andar e estava cheia de fome. Eu fiquei perplexo com a situação", contou à SIC.

Esteve hoje na casa, encerrada "de forma urgente" pela Segurança Social na passada sexta-feira, para tentar recolher os pertences da mãe, mas sem sucesso. Carlos Abreu ainda procurou alternativas à casa de repouso Santa Eufémia, mas "os lares mais ou menos acessíveis" estavam esgotados.

As 13 funcionárias também têm estado à procura de respostas, todos os dias, junto ao lar. Com o encerramento, ficaram sem trabalho e sem salário.

A ordem para fechar o lar já tinha sido dada há um mês pelo Instituto da Segurança Social, defendendo que não estavam a ser cumpridas as condições de segurança e de higiene. A SIC tentou contactar a proprietária, mas sem sucesso. No local, apareceu o marido, que não quis gravar, mas que culpou as funcionárias pela degradação do lar.