Mário Ribeiro comandava há cerca de 20 anos a corporação de bombeiros e até já tinha sido investigado. As primeiras diligências, ao que a SIC apurou, ocorreram em 2018 e dois anos depois foi mesmo alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária (PJ).
Já nessa altura, tal como agora, havia suspeitas de desvio de dinheiro da corporação que dirigia no Beato e Penha de França, em Lisboa. Mas, os crimes financeiros não cessaram, segundo a investigação, e uma denúncia anónima considerada credível acabaria por os denunciar em pormenor.
Mário Ribeiro, o vice-presidente da associação humanitária e ainda a ex-companheira tesoureira da instituição terão movimentado dezenas de milhares de euros para contas pessoais nos últimos anos, como se fossem reembolsos de despesas
O comunicado da PJ refere "transferências e depósitos diretos ao balcão, sob o alegado pretexto do reembolso de despesas e pagamento de ajudas de custo dos próprios ou de terceiros".
Quarto elemento da mesma corporação foi constituído arguido
Verbas com origem em donativos que pertenciam, segundo o Ministério Público, à associação humanitária e que terão sido usadas para fins pessoais. Estão em causa crimes de peculato e abuso de poder e, por isso, a SIC sabe que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil já abriu um inquérito para eventual expulsão de Mário Ribeiro do corpo de bombeiros.
Um quarto elemento da mesma corporação foi constituído arguido sem ser detido. Em investigação estarão também verbas que a Proteção Civil entregava à corporação pelo conjunto de bombeiros disponibilizados para o combate aos fogos rurais.
Mário Ribeiro é ainda suspeito de usar indevidamente uma viatura de serviço para idas ao futebol com os filhos e passeios em família. Os três detidos foram esta quarta-feira presentes a tribunal para conhecerem as medidas de coação e saíram todos em liberdade suspensos de funções.
