País

Primeiro-ministro responde aos deputados no Parlamento em debate quinzenal marcado pela greve e questões laborais

O primeiro-ministro Luís Montenegro regressou esta sexta-feira ao Parlamento para um debate quinzenal dominado pelas alterações à lei laboral e a consequente greve geral, agendada para o próximo dia 11, e que o chefe do Governo considera que “não faz sentido”. Mas, pelo meio da discussão, houve ainda tempo para críticas a desenhos animados.

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A menos de uma semana da greve geral convocada por CGTP e UGT, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, regressa ao Parlamento para um debate quinzenal.

No centro do debate está a anteproposta de reforma da legislação laboral apresentada pelo Governo, ainda em discussão em sede de concertação social, e que motiva a greve geral marcada pelas duas centrais sindicais para 11 de dezembro, a primeira deste Governo e desde 2013, quando Portugal estava sob intervenção da troika.

Montenegro diz que greve geral "não faz sentido"

O primeiro-ministro defendeu que a greve geral "não faz sentido" do ponto de vista dos trabalhadores, considerando que tem motivações políticas e que a alteração da legislação laboral é apenas "um pretexto".

Luís Montenegro defendeu, tal como antes tinha feito Hugo Soares, que a intenção do Governo de rever a lei do trabalho já estava expressa quer no seu programa quer no acordo tripartido assinado em outubro do ano passado com a UGT e as confederações empresariais.

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Depois, Montenegro disse querer colocar-se, não no papel dos sindicatos, mas de "trabalhador sindicalizado" para decidir se faria ou não a greve convocada por UGT e CGTP para 11 de dezembro.

"Eu vou fazer greve porque estou a ganhar menos? Não, eu estou a ganhar mais. Eu vou fazer greve porque estou a pagar mais impostos sobre o meu trabalho? Não, eu estou a pagar menos impostos. Eu vou fazer greve porque o meu emprego está em perigo? Não, na grandíssima maioria dos casos o meu emprego não está em perigo", perguntou e respondeu.

Na Antena da SIC Notícia, Nuno Ramos de Almeida e Raquel Abecassis comentaram alguns dos pontos que foram abordados.

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Ventura acusa Governo de "incompetência" na saúde

O líder do Chega acusou o Governo de incompetência na gestão da saúdee considerou que os utentes não podem ser sujeitos a esperar 18 horas numa urgência, e o primeiro-ministro reconheceu constrangimentos e antecipou que poderão repetir-se.

André Ventura confrontou Luís Montenegro com a situação vivida na quinta-feira na urgência do Hospital Amadora-Sintra, em que o tempo de espera para doentes urgentes chegou a ser de mais de 18 horas.

Na resposta, o primeiro-ministro considerou que se tratou de "um pico de aumento de um tempo de espera específico", que poderá repetir-se.

CDS condena desenhos animados

A líder parlamentar do Livre classificou de arroganteo pacote laboral do Governo e apelou ao primeiro-ministro que retirasse a proposta e recomeçasse o processo, enquanto a presidente da IL acusou o Governo de se perder em burocracia e criticou a criação de 89 grupos de trabalho.

o CDS-PP avançou com um voto de protesto pela transmissão na RTP2 de um episódio de desenhos animados sobre identidade de género, e o primeiro-ministro lamentou "profundamente que o programa tenha sido emitido nos termos em que foi".

Nova lei de retorno acabará com legislação "permissiva que favorece abusos"

O primeiro-ministro defendeu ainda que o novo regime jurídico de retorno para imigrantes em situação ilegal permitirá acabar com "legislação permissiva" que favorece o abuso e beneficia os infratores.

"Aquilo que temos hoje é uma legislação permissiva cujas regras acabam por favorecer o abuso e acabam, no fim do dia, por fazer com que quem incumpre tenha o benefício do incumprimento", afirmou o primeiro-ministro.

Montenegro recusa que redução do desconto do ISP aumente preço dos combustíveis

"Nós não provocámos nenhuma subida do preço final do consumidor. Estamos a corrigir um desconto que tinha que ser corrigido, sem impacto no preço final ao consumidor", afirmou o chefe de Governo numa resposta ao líder do Chega.

Já o secretário-geral do PS acusou o primeiro-ministro de ter mentido ao parlamento e aprovado, em 24 horas, um "orçamento retificativo" ao aumentar o ISP.

José Luís Carneiro começou por felicitar Luís Montenegro "porque, em democracia, é a primeira vez que, em apenas 24 horas, se consegue aprovar um orçamento retificativo", mas acusou o chefe do executivo de faltar à verdade ao "parlamento quando foi perguntado se aumentava os impostos".



Com Lusa