O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) revelou hoje atrasos na saída de ambulâncias aos pedidos de socorro da população, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa, alguns superiores a uma hora.
Numa nota enviada à agência Lusa, o STEPH diz ainda que vai apresentar uma denúncia à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) porque o INEM não cumpriu o acordo celebrado relativamente aos protocolos de atuação clínica, incluem a aplicação de alguns fármacos em situações de risco de vida para os cidadãos.
No que se refere aos atrasos, o STEPH fala de "várias dezenas de emergências em espera para o envio de ambulâncias", uma demora que o sindicato atribui a medidas aplicadas já pela nova administração do INEM que diz terem levado ao "encerramento de ambulâncias, priorizando os postos de atendimento nos CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes)".
"Não é digno de nenhum país minimamente desenvolvido que uma ocorrência já triada como emergente, tenha de esperar mais de uma hora pelo envio de meios de emergência", refere o sindicato, considerando esta demora "inadmissível".
Diz ainda que esta demora surge como resultado de medidas implementadas já no mês de dezembro que levaram ao encerramento de ambulâncias, dando prioridade aos postos de atendimento nos CODU.
Na nota, o STEPH diz ainda estranhar que "sejam tomadas medidas avulso" que venham contrariar a evolução positiva da resposta de emergência verificada nos últimos meses, sobretudo depois da entrada ao serviço dos 149 TEPH no passado mês de agosto.
Greve geral
Em declarações à Lusa, Rui Lázaro diz que fica igualmente por explicar como é que o presidente do INEM "mantém há três semanas 89 técnicos à espera de homologação para serem contratados da bolsa que ficou do último concurso, que podem ser uma ajuda.
"O curso que realizaram CODU é relativamente célebre e podiam ser já uma ajuda nesta época que começa agora de picos de gripe", adiantou.
O STEPH diz ainda que, não havendo resposta por parte do Governo aos pedidos de esclarecimento feitos relativamente aos protocolos clínicos que ainda não entraram em vigor, estando o INEM "em incumprimento do acordo celebrado por iniciativa do Governo", o sindicato vai enviar uma denúncia à IGAS e solicitar audiências aos grupos parlamentares e à Comissão Parlamentar de Saúde.
O STEPH tinha anunciado de manhã que os TEPH não vão aderir à greve geral agendada para 11 de dezembro, uma paralisação para a qual o INEM já veio dizer que estão definidos serviços mínimos.
Questionado sobre se a greve poderá afetar a resposta a este nível, Rui Lázaro sublinha que, neste momento, com os dados que o sindicato tem, mesmo sem greve a decorrer, já há atrasos.
"Obviamente que, durante a greve, mesmo cumprindo serviços mínimos, tendo em conta que é expectável que haja menos profissionais de trabalhar nas centrais de emergência, mas também nos meios, possa obviamente ocorrer mais algum constrangimento do que aqueles que já ocorrem no dia a dia", acrescentou.

