Mudam as políticas de parentalidade, os despedimentos ficam mais fáceis, e alargam-se os contratos a prazo. O Governo quer fazer mais de 100 mudanças à lei do trabalho e o resultado foi uma greve geral que marcou o dia esta quinta-feira.
"Ninguém quis o pacote do Luís! Ninguém quis o pacote do Luís!", ouviu-se nas ruas da cidade.
Para quem se manifesta, não há há dúvidas: "Estão em causa todos os direitos dos trabalhadores, vamos retroceder praticamente à era medieval".
O Governo diz que, se as medidas forem aprovadas, os salários vão subir. Mas, na greve geral que encheu as ruas com milhares de pessoas, ninguém acredita nisso.
"As condições já são más, com este pacote ficarão péssimas. Há que juntar todos os esforços para lutar contra isso", disse uma das manifestantes. Outra garantiu que "sempre que há uma injustiça" há que lutar.
Em Lisboa, a marcha terminou em frente ao Parlamento, onde os manifestantes se fizeram ouvir durante várias horas.
"Eu sou uma jovem de apenas 20 anos que já trabalho bastante e recebo mal. Então, se seguir para a frente, vamos trabalhar mais ainda e receber ainda pior", afirmou outra manifestante contra o pacote do Executivo.
Do outro lado do edifício, em frente à residência oficial do primeiro-ministro, manifestavam-se agentes da PSP e militares da GNR.
"Traição. É isso que nós sentimos neste momento. Qualquer cidadão português dá muito valor à palavra e ao compromisso. E é exatamente aquilo que o seu primeiro-ministro beliscou com a apresentação que fez de uma proposta totalmente descabida para aquilo que tinha como base, que era um acordo celebrado em 2024", expressou Paulo Santos, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia.
Ainda que os números do Governo e dos sindicatos contrastem, certo é que em dia de greve geral houve manifestações por todo o país.
