Foram conhecidos, esta quarta-feira, novos pormenores sobre o caso de suspeitas de abuso sexual de menores, que envolve o ex-adjunto do Ministério da Justiça. Há mais de dez anos que Paulo Abreu Santos era frequentador habitual da Casa Orixás - Ilê Axé Omô Oxum, religião afrobrasileira do Candomblé, em Corroios.
A informação é avançada, esta quarta-feira, pelo jornal online Observador que dá ainda conta de que a instituição está a ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ).
Apesar de não confirmar ou desmentir se está a ser alvo de qualquer investigação, a Casa Orixás garante estar "inteiramente disponível para colaborar com as autoridades judiciais".
Quanto à detenção de Paulo Abreu Santos, "a Casa está profundamente abalada (...) e manifesta total solidariedade para com todas as potenciais vítimas", assegurando, "de forma clara e inequívoca, que não existe qualquer relação institucional, organizacional ou funcional entre a nossa casa de culto e os factos que estão a ser investigados pelas autoridades competentes".
A Casa Orixás sublinha ainda que o facto de Paulo Abreu Santos ser uma frequentador regular da instituição tal "não pressupõe conhecimento, validação ou envolvimento em comportamentos da esfera privada (...). A nossa comunidade rege-se por princípios de respeito, dignidade humana e proteção dos mais vulneráveis, repudiando firmemente qualquer forma de abuso".
De acordo com fontes ouvidas pelo Observador e que, em tempos frequentaram o espaço religioso, "havia crianças presentes durante os cultos mas nunca repararam em sinais de condutas ilegais com menores, e desconhecem se foram feitas denúncias".
Isso mesmo confirma ao jornal online, Alexandrina Rodrigues, a mãe de santo ou líder da comunidade da Ilê Axé Omo Oxum, que garante nunca ter recebido qualquer queixa: “Nada, nada, nada”.
Autoridades dos EUA deram o alerta
O inquérito foi instaurado no final de abril de 2024, após a sinalização do Departamento de Segurança dos Estados Unidos à Polícia Judiciária, no âmbito de uma operação em grande escala contra predadores sexuais na internet.
As pistas foram dois endereços de internet: um no Ministério da Justiça e outro em Corroios, relacionados ao computador profissional utilizado no gabinete e na casa do ex-adjunto.
E, no passado dia 11 de dezembro, durante as buscas, a PJ encontrou centenas de ficheiros internacionais de acesso e partilha de pornografia infantil no computador do Estado e em pen drives. No telemóvel, foram identificadas filmagens com Paulo Abreu dos Santos a praticar atos sexuais de relevo, que não incluem penetração.
Terá sido o ex-adjunto da ministra da Justiça a revelar às autoridades a identidade de pelo menos duas crianças, que terão cerca de 10 anos, sendo que uma delas seria familiar de uma pessoa próxima.
Paulo Abreu dos Santos, de 38 anos, entrou para o gabinete de Catarina Sarmento e Castro a 6 de outubro de 2022, desempenhando funções como adjunto da ex-ministra. Foi entretanto afastado da sociedade de advogados onde trabalhava, assim como da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde era professor assistente.
