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Morte do físico Nuno Loureiro foi "um grande choque" para a comunidade do Instituto Superior Técnico

O presidente do Instituto Superior Técnico, onde Nuno Loureiro se formou, revelou que a notícia do assassinato do físico português foi recebida com "choque e consternação". Quanto à decisão da administração Trump, de suspender o programa de vistos usado pelo português suspeito do crime, Rogério Lourenço lembra que a "ciência é internacional por definição" e que esta decisão terá, obviamente, "impacto no futuro do desenvolvimento científico e tecnológico a nível global".

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A vítima e o autor portugueses do ataque na Universidade do Brown, nos Estados Unidos, estudaram ambos no Instituto Superior Técnico (IST), facto que deixou a instituição em “grande choque”.

“Naturalmente que, neste momento, o assassínio do professor Nuno Loureiro teve um impacto muito grande na nossa comunidade, não só por ser uma pessoa muito querida enquanto cientista mas também enquanto pessoa e colega, que sempre manteve relações muito estreitas com o IST, portanto a notícia do seu assassinato foi de facto um grande choque”, disse o presidente Rogério Colaço, na antena da SIC.

Quanto ao principal suspeito, Cláudio Valente, foi “surpreendente para a comunidade saber que o suspeito deste série de crimes é um antigo aluno do Técnico, naturalmente que há comentários e consternação no instituto”.

Questionado sobre se sabia da intenção de Nuno Loureiro regressar a Portugal, o presidente do IST acredita que, neste momento, e tendo em conta as “funções que tinha de elevada responsabilidade e proeminência no MIT, enquanto diretor do laboratório de plasmas e fusão nuclear, (…) o regresso não estaria no seu horizonte no imediato”.

Já sobre a medida tomada, desde logo, pela administração de Donald Trump, de suspender o programa de vistos usado por português suspeito da morte de Nuno Loureiro para obter o estatuto de residente permanente legal nos Estados Unidos em 2017, o presidente do IST considera que é uma “decisão que está alinhada com as políticas da administração americana neste último ano”, pelo que não fica surpreendido.

“Esta situação só espoletou mais uma medida de restrição à mobilidade de pessoas e naturalmente que terá algum impacto na comunidade científica”, reconhece, apesar de salientar que “os beneficiários portugueses deste tipo de visto não são um número muito significativo” - rondam as “quatro dezenas”.

Ainda assim, a ciência sai a perder porque, explica, “assenta sobre o princípio da internacionalização, da abertura, e da mobilidade entre cientistas e investigadores”.

“Sempre foi assim que se fez ciência, pelo menos, a partir do pós-Segunda Guerra Mundial,. Ou seja, não há ciência de alto nível sem troca de ideias, mobilidade e internacionalização. A ciência é por natureza internacional, [pelo que] todas as medidas que restrinjam essa mobilidade, essa abertura internacional do que é objeto de investigação, de facto tem um impacto na ciência e no desenvolvimento científico e tecnológico”, admite.

Cláudio Valente e Nuno Loureiro frequentaram o mesmo programa académico numa universidade em Portugal, entre 1995 e 2000. Loureiro, que cresceu em Viseu, formou-se e fez investigação no Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa.

Cláudio Valente era natural de Torres Novas e viajou para os Estados Unidos para estudar Física na Universidade de Brown há mais de 20 anos.