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Ana Paula Martins recusa demitir-se e mantém-se no cargo até decisão de Montenegro

A ministra da Saúde reafirma que não pedirá demissão e que permanecerá no cargo enquanto tiver o apoio do primeiro-ministro Luís Montenegro. Apesar das críticas após as três mortes resultantes de atrasos do INEM, Montenegro mantém o apoio à ministra. A avaliação do desempenho de Ana Paula Martins deverá ser feita na altura da Páscoa.

Ana Paula Martins recusa demitir-se e mantém-se no cargo até decisão de Montenegro
MANUEL DE ALMEIDA

A ministra da saúde, Ana Paula Martins, diz que não pede nem pedirá para sair do Governo e que a sua saída do cargo dependerá exclusivamente da decisão do primeiro-ministro, Luís Montenegro.

Em declarações ao jornal Expresso, a ministra - assombrada esta semana pelas três mortes que resultaram no atraso do socorro pelo INEM por falta de ambulâncias - é perentória: "naturalmente” sairá “quando o primeiro-ministro assim o decidir.”

A posição mantém-se desde que iniciou funções. Em novembro, com uma sondagem da Intercampus a revelar que quase 60% dos portugueses acham que Ana Paula Martins deve abandonar o cargo, Ana Paula Martins desvalorizava e garantia que se manteria no cargo "enquanto, naturalmente, for vontade do Governo e do meu primeiro-ministro".

Montenegro segura Ana Paula Martins tanto quanto pode. Depois de vários momentos em que o lugar da ministra foi posto em causa, o primeiro-ministro mantém-se firme na sua decisão.

Apesar das sucessivas crises no Ministério da Saúde, só na altura da Páscoa é que deverá ser feito um balanço do desempenho da ministra, que tem estado sob polémica há mais de um ano e meio. Tudo porque Ana Paula Martins tem curso vários diplomas importantes que precisam de avançar entre eles a reforma das urgências, as alterações ao regime dos tarefeiros e a nova lei orgânica do INEM. Além disso, pretende apresentar um esboço da nova Lei de Bases da Saúde.

O Ministério da Saúde prevê que esses avanços ocorram durante o primeiro trimestre do próximo ano, o que coincide com o período da Páscoa.

Os pedidos de demissão voltaram depois das mortes dos últimos dias no Seixal, Quinta do Conde e Tavira.