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Bombeiros criam task-force para reforçar socorro pré-hospitalar no fim de semana

Quatro ambulâncias adicionais vão operar entre as 08h00 e as 20h00 de sábado e domingo. O anúncio surge depois de, esta semana, terem sido conhecidos os casos de três pessoas que morreram à espera de socorro.

Bombeiros criam task-force para reforçar socorro pré-hospitalar no fim de semana

A Liga dos Bombeiros Portugueses anunciou esta sexta-feira a criação de uma task-force para reforçar o socorro pré-hospitalar este fim de semana, nos dias 10 e 11 de janeiro.

Esta ‘task-force’ é composta por quatro ambulâncias adicionais dos Bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais. Ficarão na sede da Liga dos Bombeiros Portugueses e vão operar entre as 08h00 e as 20h00 deste sábado e domingo.

Em comunicado, informam ainda que haverá um comandante em permanência a “coordenar as operações” no Centro de Acompanhamento e Apoio à Situação Operacional.

O anúncio surge depois de, esta semana, terem sido conhecidos os casos de três pessoas que morreram à espera de socorro. Na quarta-feira, o presidente do INEM afirmou que há uma "limitação muito significativa de ambulâncias", sobretudo na Margem Sul, por muitas ficarem retidas nos hospitais à espera da maca.

O presidente do INEM afirma que os meios "são finitos" e que o INEM tudo fez para garantir o socorro em tempo útil, mas a retenção de macas, sem as quais as ambulâncias não podem ser libertadas, causa constrangimento de meios.

"Se nós tivermos as ambulâncias retidas nos hospitais, não temos os meios que precisamos para socorrer os portugueses."

A situação foi também denunciada pelo sindicato dos Técnicos do INEM, que revelou que chegaram a estar 73 ambulâncias em simultâneo paradas à porta do hospital Garcia de Orta, em Almada, devido a macas retidas.

O país tem disponíveis mais de 1.700 ambulâncias de socorro entre bombeiros, Cruz Vermelha e INEM.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro anunciou que o Governo tinha aprovado, na véspera, "a aquisição de novas 275 viaturas para o INEM num investimento que ascende a 16,8 milhões de euros", acrescentando tratar-se do "maior investimento do género na última década". No total serão 163 ambulâncias, 34 VMER e 78 outros veículos.

No entanto, a compra de ambulâncias do INEM anunciada como novidade pelo primeiro-ministro arrasta-se, afinal, há mais de dois anos, desde o Governo de António Costa.

As marcas a quem foram adjudicadas as 275 novas viaturas anunciadas pelo primeiro-ministro terão ainda de fazer a transformação em ambulâncias e viaturas médicas, pelo que são precisos mais três a seis meses até poderem ser entregues, ou seja, não estarão ao serviço em tempo útil para a crise de inverno que o SNS atravessa.

A SIC enviou um pedido de esclarecimentos ao Ministério da Saúde e ao INEM para tentar esclarecer se estas viaturas vão substituir ou acrescentar às que já existem e se há recursos humanos para garantir a tripulação, mas até agora não obteve resposta.