Começam, nesta quinta-feira, os interrogatórios aos 37 detidos na Operação Irmandade, que pertencem ao grupo neonazi 1143. Estão indiciados por crimes de incitamento ao ódio e à violência, no entanto a advogada de cinco arguidos do grupo neonazi recusa que o 1143 seja uma organização criminosa e extremista, dizendo que se trata apenas de um "grupo de convívio".
A presença da Unidade Nacional de Contraterrorismo no Campus de Justiça anunciava a chegada, pouco depois das 21:30, dos 37 detidos do grupo neonazi 1143 em sete carrinhas da PJ.
Ouvidos esta quarta-feira, regressaram ao tribunal para os interrogatórios. Durante a manhã estiveram com os advogados.
Entre os arguidos, indiciados por crimes de incitamento ao ódio e à violência, com idades entre os 30 e os 54 anos, estão cinco mulheres e um militar, a quem a Força Aérea já abriu um processo disciplinar. A polícia admite fazer o mesmo ao arguido PSP.
Nesta megaoperação, foram ainda detidas pelo menos três pessoas ligadas ao Chega.
Rui Roque, o líder do núcleo de Faro do 1143, expulso do partido em novembro de 2025, João Peixoto Branco, líder do 1143 em Guimarães, candidato pelo Chega nas autárquicas de 2021 e Ana Rita, a companheira de Mário Machado, que concorreu duas vezes pelo partido de André ventura.
Em entrevista À RTP, Ventura negou conhecer qualquer relação entre militantes do Chega e o grupo neonazi 1143.
Não respondeu se averiguou a filiação dos três arguidos e sempre a atacar os jornalistas comparou o apoio de Ferro Rodrigues a Seguro aos apelos do grupo neonazi ao voto na sua candidatura.
Na lista dos suspeitos, constam duas mulheres próximas de Mário Machado, arguidas, mas não se encontram detidas.
O expresso avança que a mãe do líder do Grupo 1143 terá disponibilizado uma conta onde foram depositados vários donativos.
Igualmente arguida, a ex-mulher de Mário Machado está a ser investigada por movimentações bancárias relacionadas com o grupo 1143.
Advogada fala em "grupo de convívio"
Mayza Consentino é a advogada de cinco dos membros do grupo neonazi que foram detidos.
Além de representar os arguidos, Mayza Consentino admite conhecer de perto Mário Machado e de ter ido a um encontro do grupo extremista 1143.
A advogada considera o maior grupo ultranacionalista e neonazi do país um “grupo de convívio”.
Diz não fazer parte da organização, mas surge ao lado de Mário Machado numa manifestação da extrema-direita, em fevereiro de 2024.
A advogada é também figura recorrente em comícios do chega. Um mês antes, aparecia na Convenção do partido.
Diz que não faz parte do Chega, mas nas redes sociais assume o apoio a André Ventura.
Miguel Carvalho, autor do livro "Por dentro do Chega", revelou nas redes sociais que Mayza Consentino foi militante do Chega até outubro do ano passado.
Apoia Bolsonaro e até andou a distribuir o currículo no congresso de 2024, onde surge em várias fotografias ao lado de Ventura.