O primeiro-ministro vai apresentar uma queixa-crime no Ministério Público contra o autor de uma falsa publicação do Presidente dos Estados Unidos a reagir a uma suposta mensagem de Luís Montenegro. O Governo diz que é um ato de desinformação, que deve ser combatido, mas o autor defende que se trata de uma sátira política.
Foi uma publicação no X de uma suposta mensagem enviada pelo primeiro-ministro a Donald Trump que motivou a queixa-crime.
No longo texto, atribuído a Luís Montenegro, podem ler-se frases como:
"Portugal não quer ser apenas mais um 'país da UE' para si (...) Por isso, estamos disponíveis para discutir uma visão que assegure o acesso soberano dos EUA às nossas ilhas dos Açores."
A rede social avisa logo os leitores que a imagem é falsa.
Foi partilhada na página 'Volksvargas', que, no Instagram, tem cerca de 100.000 seguidores e muitas outras publicações que visam e criticam, principalmente, partidos ou políticos de direita.
"Ataca o primeiro-ministro de Portugal"
Em comunicado, o primeiro-ministro diz que foi alvo de um “ato de desinformação com elevada difusão pública” e que vai apresentar queixa no Ministério Público.
“Participa tanto no debate público e não é só em fazer sátira - se calhar, provavelmente, nunca está a fazer sátira, mas isso é outra discussão - (...) Sabe o que está a fazer. Ataca o primeiro-ministro de Portugal e ataca a posição internacional de Portugal, criando uma mentira sobre a posição internacional de Portugal”, disse, em conferência de imprensa, Leitão Amaro, ministro da Presidência.
Luís Vargas, o autor, publicou um comunicado em que explica que a página é conhecida por publicar memes.
Escreve que o texto foi "escrito de modo a não deixar margem para dúvida de que se trata de uma sátira", que não tem qualquer intenção de desinformar, estando até acompanhado com uma marca de água da página.
Termina o comunicado a defender que é "lamentável que o Governo não se preocupe com a desinformação propagada pelo Chega, mas procure intimidar uma página satírica".
Luís Vargas já trabalhou para a Câmara Municipal de Lisboa durante o mandato de Fernando Medina.
Foi contratado para ajudar na programação e desenvolvimento do site da autarquia.
Contactado pela SIC, o autor diz que não tem nenhuma ligação ao PS nem a qualquer partido.
O PS diz não ter registo de Luís Vargas já ter trabalhado para o partido.
