Há já quem considere ser a praga silenciosa do sec XXI. O assédio laboral levou quase 3.500 pessoas a apresentarem queixa à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) foram aplicadas apenas 20 contra ordenações, números avançados pelo jornal Público, numa discrepância que pode assentar na dificuldade de comprovar os fatos.
“A maior parte dos casos ocorre em contexto privado, em que mais ninguém está a assistir, e também, muitas vezes, as vítimas, por falta de informação, não fazem um registo dessas situações” afirma a presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), Carla Tavares.
Em maio de 2025, um inquérito do Laboratório Português de Ambientes Saudáveis mostrava que 27,7% dos trabalhadores diziam ter sido vítimas de alguma forma de abuso físico ou psicológico. A presidente da CITE salienta que para além do assédio sexual, o moral tem cada vez mais impacto.
O ultimo grande estudo sobre assédio laboral foi realizado em 2016, com conclusões que estarão já muito longe da realidade. 16,5% da população ativa dizia ter sido vitima de assédio moral e 12,6% de assédio sexual, que afetava sobretudo as mulheres. O medo de represálias persiste.
CITE defende criminalização do assédio
A presidente do comissão defende a criminalização do assédio. A CITE é atualmente parceira de dois projetos sobre assédio financiados pela União Europeia - um deles vai estudar o assédio na área da saúde na administração pública.
