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Sindicato dos Enfermeiros diz não ao banco de horas em Acordo Coletivo de Trabalho

O sindicato mantém-se inflexível na reivindicação da reposição do tempo de serviço precário e propôs a definição de carga horária específica para estágios de especialização. As negociações decorrem desde setembro com uma plataforma de cinco sindicatos de enfermeiros.

Sindicato dos Enfermeiros diz não ao banco de horas em Acordo Coletivo de Trabalho
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O Sindicato dos Enfermeiros (SE) rejeitou, esta terça-feira, a criação de um banco de horas no novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que está a ser negociado com o Ministério da Saúde.

Em comunicado, o SE indica que o dirigente sindical Luís Ferreira "foi perentório na recusa da introdução da cláusula de banco de horas", após reunir-se com a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido.

"As horas já trabalhadas nos diversos serviços têm de ser pagas, no cumprimento escrupuloso da lei em vigor", lembrou o presidente do SE, considerando que, caso tal não aconteça, o trabalho extraordinário deve ser "ressarcido em forma de dias de férias".

Lembrando que a lei salvaguarda a justificação de falta através de atestado médico, o SE afirmou que "não colhe" o argumento de que o banco de horas poderia ser usado em situações de doença ou assistência a familiares.

O sindicato, que integra uma plataforma sindical, recordou que outro ponto central da negociação com a tutela é a reposição do tempo de serviço prestado em regime precário.

"A este propósito, o SE mostra-se inflexível na necessidade de uma alteração legislativa que passe a introduzir a contagem do tempo de trabalho precário para a progressão na tabela salarial", salientou.

A qualificação profissional também esteve em cima da mesa na ronda negocial, tendo a estrutura sindical proposto a definição de uma carga horária específica para que os enfermeiros possam realizar estágios de especialização.

"Existem enfermeiros que não têm qualquer hipótese face ao horário sobrecarregado e muitos até metem férias ou licenças sem vencimento para apostarem na sua especialização", revelou Luís Silva, citado no comunicado.

Negociações arrancaram em setembro

As negociações decorrem desde setembro, após a entrega da contraproposta de cinco sindicatos de enfermeiros ao Governo.

Em julho, ambas as partes tinham assinado um protocolo que definiu os temas a rever no futuro ACT, incluindo novas formas de organização do tempo de trabalho e maior flexibilidade de horários no Serviço Nacional de Saúde.

A plataforma sindical integra o Sindicato Nacional dos Enfermeiros (SNE), o Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor), o Sindicato dos Enfermeiros (SE), o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (Sipenf) e o Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU).

Com Lusa