O ministro da Educação afirmou, em entrevista à SIC Notícias, que as declarações que fez sobre as residências universitárias foram “descontextualizadas”, garantindo que a culpa da degradação das instituições não é dos utilizadores, mas da “gestão negligenciada”.
Fernando Alexandre defendeu que foi feita uma “leitura errada” de um excerto “descontextualizado” da sua intervenção, afirmando que o que estava a ser discutido era o “desafio de melhorar a gestão das instituições”.
“Há evidência científica que mostra que, quando temos um serviço público utilizado apenas por famílias de baixos rendimentos, a qualidade da gestão - porque essas pessoas não têm voz - leva à degradação das instituições. (...) Não são os utilizadores que as degradam”, esclareceu.
Insistindo na questão de que a degradação das residências universitárias resulta da gestão que fica “negligenciada” quando os estudantes são apenas bolseiros, sublinha, no entanto, que essa gestão não é responsabilidade do Governo nem do Ministério, mas das universidades e politécnicos.
“A essência da democracia é os serviços públicos serem utilizados por todas as classes sociais. (...) O que propusemos é tornar estas residências espaços de bem-estar e, para isso, consideramos que os estudantes deslocados, bolseiros ou não bolseiros, devem poder frequentá-las”, acrescentou.
O esclarecimento surge depois de o PS ter exigido que o ministro retirasse as declarações, ou deixaria de ter condições para exercer cargo, disseram os socialistas.
Eurico Brilhante Dias referiu que foi “com grande surpresa” que se escutaram as declarações do titular da pasta da Educação “associando os alunos com menores rendimentos, de famílias com menores rendimentos, à degradação das residências universitárias”.
Em comunicado, o Ministério da Educação afirmou ser falso que o ministro considere que os estudantes de baixos rendimentos são responsáveis pela degradação das residências, e divulgou a intervenção completa do governante.