Justiça

PGR justifica atrasos na 'Operação Influencer' após desmentido da Relação

Amadeu Guerra justificou-se sobre os atrasos na investigação da Operação Influencer, garantindo que só na terça-feira soube da decisão de um recurso na Relação de Lisboa.

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O Procurador-Geral da República garante que não deu informações erradas quando falou nos atrasos da investigação da Operação Influencer. Amadeu Guerra assegura que só na terça-feira soube que já tinha sido decidido um recurso na Relação e que, ainda assim, o Ministério Público continua sem acesso aos emails apreendidos aos arguidos que são advogados.

Nas buscas de há dois anos, o Ministério Público recolheu um manancial de documentação aos arguidos e a outras entidades. Um dos alvos era Rui Oliveira Neves, administrador da Start Campus e também advogado na sociedade Morais Leitão, a quem foi apreendida a caixa de correio eletrónico.

O advogado reclamou que os emails estavam protegidos pelo segredo profissional, mas o juiz de instrução criminal não aceitou a reclamação. A defesa de Oliveira Neves recorreu para a Relação de Lisboa.

Esta quarta-feira, o Expresso noticiava que o Tribunal da Relação desmentia o Procurador-Geral, garantindo que já não havia nenhum recurso pendente.

Mas Amadeu Guerra, numa nota à imprensa, veio justificar a aparente contradição, assegurando que a informação sobre o recurso apenas chegou esta terça-feira.

É estranho, tendo em conta que o acórdão tem a data de 23 de setembro, há mais de um mês e meio. E, seguindo as regras, as partes envolvidas no processo teriam de ter sido notificadas.

De qualquer forma, o acórdão deu razão ao arguido e, por isso, terá de ser o Presidente da Relação a decidir se é possível o Ministério Público usar os emails apreendidos ao advogado.

É apenas uma parte da prova que o Ministério Público recolheu nas buscas de 7 de novembro de 2023, mas que está a servir de justificação para que o processo, dois anos depois, continue encalhado.