Gabriel Mithá Ribeiro classifica André Ventura como “um líder narcísico incurável”. Em entrevista à SIC Notícias, o ex-deputado do Chega faz um aviso ao país e afirma que o problema “vai agravar-se se ele se tornar governante".
O antigo deputado do Chega renunciara ao mandato na Assembleia da República, em setembro. Depois desistiu da candidatura, em nome do partido, que protagonizava à Câmara de Pombal, nas eleições autárquicas Já esta sexta-feira, Mithá Ribeiro veio mesmo anunciar a saída do partido, e, num artigo publicado no jornal Observador, acusou André Ventura de ser um líder “narcísico” e “vingativo”, lamentando ter sido excluído do “governo-sombra” do Chega.
Na SIC Notícias, Gabriel Mithá Ribeiro recusa estar numa cruzada de vingança pessoal contra André Ventura – apesar de admitir que o problema que tem com o líder do Chega não é “político” (uma vez que concorda com a orientação política que o partido tem seguido), mas, sim, “de personalidade”.
"Há todos os indícios de uma patologia"
Nas palavras de Mithá Ribeiro, aquilo que está em causa é o “narcisismo” de André Ventura. Alega que o líder do Chega pode padecer de um problema de saúde mental: “Objetivamente que há ali todos os indícios de uma patologia nesse sentido".
“Identifico traços inequívocos de narcisismo na personalidade do presidente André Ventura."
O ex-deputado do Chega afirma que abandonou o cargo de deputado por não querer ser “mais um joguete” nas mãos de um “líder narcísico incurável” e diz temer pela própria sobrevivência do partido.
"O Chega, para sobreviver enquanto partido, tem que mudar profundamente e não é com André Ventura. Está minado por dentro pela personalidade de André Ventura. O tipo de pessoas que tem poder, o tipo de pessoas que atraiu e o tipo de relações pessoais que há.”
"Caso semelhante? José Sócrates"
Nesta entrevista à SIC Notícias, o ex-deputado do Chega afirma, contudo, que o problema não se cinge ao partido e que não é “original do Chega”. Aponta como exemplo o “caso semelhante” do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates.
Para Gabriel Mithá Ribeiro, a alegada patologia de André Ventura é “um problema com que o país vai ter que lidar”.
“É muito difícil alguma vez o presidente André Ventura adaptar-se a uma instituição ou a um sujeito coletivo”, refere. “Se, eventualmente, ele se tornar governante, o problema vai se agravar. Portanto, eu estou a confrontar a sociedade portuguesa com esse problema”, sustenta.