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ENTREVISTA SIC NOTÍCIAS

Louçã justifica greve geral e diz que reforma laboral arrastará o país para um "lamaçal de destruição social”

Em entrevista à SIC Notícias, o antigo coordenador do Bloco de Esquerda critica a reforma laboral proposta pelo Governo, defendendo que as alterações prejudicarão Portugal.

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Está marcada para o próximo dia 11 uma greve geral em Portugal. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu esta sexta-feira que a paralisação "não faz sentido" do ponto de vista dos trabalhadores, considerando que tem motivações políticas e que a alteração da legislação laboral é apenas "um pretexto".

Em entrevista à Grande Edição, da SIC Notícias, o antigo coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, refere que não compreende o avanço da reforma laboral, defendendo que as mudanças vão "arrastar o país para maiores dificuldades".

"Estas mudanças vão arrastar Portugal para maiores dificuldades. Tudo o que contribui para degradar o salário vai reduzir as qualificações. Se lhes oferecerem um salário de mil euros, os jovens qualificados vão procurar uma alternativa noutro país, que terá maior proteção nos direitos dos trabalhadores", começou por dizer o antigo deputado bloquista.
"As centrais sindicais são muito diferentes entre si e têm histórias muito diferentes. Mas terem podido entender-se com solidez sobre a recusa de propostas que prejudicam a vida económica portuguesa e as pessoas que trabalham é uma boa notícia. (...) Que a sociedade possa mostrar que não está disposta a esse lamaçal de destruição social, acho que isto é uma boa notícia para Portugal", acrescentou.

"Pureza tem uma energia contagiante e Mortágua ainda será importante no futuro do país"

No passado domingo, José Manuel Pureza assumiu a liderança do Bloco de Esquerda. No discurso, defendeu uma esquerda de pontes e deixou a garantia de que o partido vai ser uma alternativa da esperança contra a extrema-direita.

O histórico dirigente bloquista afirmou que o sucessor de Mariana Mortágua é uma "escolha forte" para o partido.

"Conheço-o bem. Acho que tem uma energia contagiante e uma grande capacidade de estabelecer pontes, que é o que faz falta à esquerda portuguesa", apontou.
"Teremos um progresso no futuro. José Manuel Pureza, de certeza, é capaz de criar pontes na criação de medidas em profundidade", rematou, referindo que Mariana Mortágua "tem idade para ser muito importante no futuro da vida política portuguesa".