Aqui Há Crime

Podcast

“O meu 1.º caso como psicóloga forense foi o Estripador de Lisboa, nunca tinha visto um morto e não comi carne durante um mês”

Hoje a história é outra e faz-se com dois convidados e estúdio. São eles: Cristina Soeiro, psicóloga forense e criminal da Polícia Judiciária, e Luís Cardoso, médico especialista em Medicina Legal no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses. Neste terceiro episódio de “Aqui Há Crime” queremos refletir sobre o que leva alguém a matar e como um cadáver pode ser um tabuleiro cheio de pistas para encontrar um culpado. Ouça aqui a conversa conduzida por Júlia Pinheiro e Marta Gonçalves

Como é alguém se tonra um homícida? Há uma explicação para matar? É sempre um impulso ou pode ser premeditado? Quem são estas pessoas e, será que qualquer um de nós pode ser um assassino?

E se há uma morte, há um morto. Um cadáver pode ser um tabuleiro cheio de pistas para encontrar um culpado. Será que por baixo das unhas há sempre uma pista que denuncia o culpado do crime, como acontece nas séries policiais?

Para refletir sobre o crime em Portugal, Júlia Pinheiro e a jornalista Marta Gonçalves sentem-se à mesa do estúdio de podcast para um episódio com um formato diferente. E para responder, juntam-se a elas, Cristina Soeiro, psicóloga forense e criminal da Polícia Judiciária, e Luís Cardoso, médico especialista em Medicina Legal no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.


Da esquerda para a direita: Cristina Soeiro, psicóloga da PJ, Marta Gonçalves, jornalista do Expresso, Júlia Pinheiro, apresentadora, e Luís Cardoso, especialista em medicina legal
Matilde Fieschi

E como qualquer boa investigação de homicideo, a conversa começa pela observação do cadáver. “Temos de estar atentos a todo o corpo, qualquer vestígio pode ser importante porque pode ser o único disponível para se chegar a uma causa de morte ou, eventualmente, até a um alegado homicida ou agressor. Temos de ter sempre noção que é um momento único que dificilmente se consegue repetir”, explica Luís Cardoso. “A autópsia começa sempre com um exame completo da roupa, uma descrição de todos os objetos, da roupa, relógio, tudo o que acompanha o cadáver. Só depois é despido e é feita uma nova avaliação antes de limparmos o corpo. Depois, para conseguirmos observar as lesões traumáticas que possa eventualmente ter, temos que proceder a uma limpeza e é feita uma observação sequencial de toda a superfície da pele, da cabeça até à planta dos pés”, continua.

No ano passado, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna, foram registados 89 homicídios num universo de mais de 350 mil participações criminais, das quais cerca de 90 mil contra pessoas. Entre estas mortes, 26% dos casos (23) aconteceram em contexto de violência doméstica.

“A maior parte da criminalidade violenta em Portugal que culmina com homicídios está muito relacionada com o contexto de uma proximidade muito grande e, felizmente, ainda temos muito pouca violência fatal”, diz Luís Cardos. “O que é o amor? O amor é altruísmo, não é? Se aquela pessoa que eu gosto muito gosta de outra pessoa, eu deixo ir. Por isso é que não há homicídios passionais. Não existe, o amor não está relacionado com a morte, com o matar”, acrescenta Cristina Soeiro.

Luís Cardos e Cristina Soeiro
Matilde Fieschi

Cristina Soeiro é psicóloga forense e criminal na PJ. É doutorada em psicologia da Justiça pela Universidade do Minho e há mais de 30 anos que é responsável pelo gabinete de Psicologia e Seleção do Instituto de Polícia Judiciária e Ciências Criminais. Tem coordenado projetos de investigação nesta área, tendo contribuído significativamente para a compreensão do conceito de psicopatia, sobretudo no contexto forense.

Já Luís Cardoso é médico especialista em Medicina Legal no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, o Laboratório do Estado com funções periciais, médico-legais e forenses que atua no âmbito da administração da Justiça. É também responsável pela unidade de Patologia Forense na delegação do Centro desta instituição.


Este é o terceiro episódio de “Aqui Há Crime”, o podcast da SIC sobre os crimes que marcaram o país. É conduzido e narrado por Júlia Pinheiro, tem a produção, entrevistas e narração de Marta Gonçalves, a sonoplastia e a banda sonora são de João Luís Amorim. A capa é de Tiago Pereira Santos com fotografia de José Fonseca Fernandes. A coordenação desta série é de Joana Beleza e a direção de Daniel Oliveira.

A hora do crime é sempre a mesma, todas as sextas-feiras nos sites da SIC, SIC Notícias e Expresso ou na sua plataforma de podcasts preferida.

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