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Pedro Marques Lopes: “A irresponsabilidade política de Carlos Moedas é inqualificável”

Esta é a semana em que as presidenciais entraram definitivamente na agenda. Agora, é mesmo verdade, da próxima vez que formos votar é para escolher o Presidente da República. A análise por Pedro Siza Vieira e Pedro Marques Lopes, com moderação de Paulo Baldaia, no Bloco Central

É também uma semana em que se confirma, uma vez mais, que o Chega põe e dispõe da agenda da direita, na expressão feliz do jornalista Rui Pedro Antunes: “André Ventura pôs a AD e a IL entre a burca e a parede”.

Com as eleições autárquicas realizadas, lá apareceu o relatório preliminar sobre o acidente no elevador da Glória. Tinha sido anteriormente noticiado pelo Expresso que o cabo usado a ligar os dois veículos não era apropriado para o efeito, o relatório confirma e acrescenta que houve relatórios de inspecção e manutenção que, simplesmente, não correspondem à verdade. A reacção inicial, quer da Câmara de Lisboa quer da administração da Carris, foi sacudir a água do capote mas, no fim do dia, Moedas fez o mínimo que podia fazer, que era anunciar que não vai reconduzir a actual administração da empresa.

Sobre a morte de Francisco Pinto Balsemão, autonomizamos a parte inicial do Bloco Central em que falamos da importância para o país do legado que nos deixa o político, o jornalista e o empresário. Se ainda não ouviu, pode ouvir o episódio autónomo lançado ontem.

A moderação da conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira foi de Paulo Baldaia e a sonoplastia de Gustavo Carvalho.

BLOCO CENTRAL DOS INTERESSES

Pedro Marques Lopes

O Javier Cercas é um dos meus autores contemporâneos favoritos. Adorei “O Impostor” e “Anatomia de um Instante”, mas também gostei muito dos “Soldados de Salamina”, do “O Monarca das Sombras” e do “As Leis da Fronteira” (gostei menos da recente trilogia sobre um detetive justiceiro). Em alguns dos seus livros mostra uma técnica narrativa de que gosto muito em que mistura a sua própria vida, as suas convicções, as suas experiências com a história que conta. O seu último livro é “O Louco de Deus no Fim do Mundo”. A propósito de um livro que lhe é encomendado sobre uma visita do Papa Francisco à Mongólia faz outro em que reflete sobre a religião, a espiritualidade e a imortalidade. Sempre num estilo que nos deixa agarrados ao livro e com a escrita mais fluida que existe. Um livro maravilhoso.

Pedro Siza Vieira

Quando veio ao Bloco Central como convidado, Francisco Pinto Balsemão sugeriu a escuta de um álbum com os 24 Prelúdios e Fugas para Piano, de Dmitri Shostakovich, interpretado por Keith Jarrett. Foi uma escolha surpreendentemente: Keith Jarrett é um grande pianista de jazz, com uma carreira longa que vem desde os anos 60, e que tendo-se iniciado com os Jazz Messengers e depois acompanhado Miles Davis, seguiu um caminho muito pessoal, a solo ou em pequenos grupos, que o tornou um dos mais originais e conhecidos pianistas do género. Com formação clássica, também gravou peças de compositores eruditos, desde clássicos como Bach e Handel até música contemporânea. Balsemão era um melómano e músico amador, que confessou ter visto Jarrett ao vivo várias vezes e justificou a sua escolha nada óbvia de um compositor “difícil” como Shostakovich, por estes prelúdios e fugas serem quase clássicos na sua construção. Eu não conhecia este álbum, cuja sugestão vinha de alguém que claramente conhecia e apreciava música de forma muito séria, e desde então ele tornou-se um daqueles a que regresso periodicamente. Sugiro ouvir o prelúdio nº13, em memória de Francisco Pinto Balsemão, que era também um homem de cultura.

Pedro Siza Vieira e Pedro Marques Lopes analisam os acontecimentos e os protagonistas da semana, com moderação de Paulo Baldaia. Quinze anos depois da estreia na TSF, os episódios passam a sair à quinta-feira, dia de Conselho de Ministros, no Expresso. A fechar, e como sempre, o bloco central de interesses, com sugestões para as coisas importantes da vida.

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