Quando era pequeno partiu muito cascalho e acartou muita pedra na empresa familiar do pai. Décadas depois, os herdeiros de DST (Domingos da Silva Teixeira) multiplicaram os talentos que lhes foram deixados e dirigem um grupo que fatura 700 milhões de euros, e tem um EBITDA (lucros antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) de 80 milhões de euros.
De passagem pela Liga dos Inovadores, José Teixeira, o empresário de Braga que nos últimos anos se distinguiu pela aposta na formação técnica e cultural dos trabalhadores, diz que o passado o ajudou a colocar-se nos sapatos dos outros, de procurar-lhes “uma vida melhor, de procurar melhores condições de trabalho, com muita formação, muita ciência, muito conhecimento”.
Lembra que as empresas são mais que máquinas de gerar lucros e, por isso, o grupo só paga dividendos nas empresas onde os trabalhadores têm uma participação no capital. Nas outras, “vivemos dos salários e investimos o que ganhamos para criar mais fábricas, criar mais indústria, melhorar salários e por aí fora”.
Se os empresários quiserem tudo para si, apenas terão trabalhadores que obedecem, não trabalhadores que criam e acrescentam valor, considera. Não se lembra da última vez que despediu alguém mas quer sempre saber porque é que os trabalhadores que contratou querem sair da empresa. E não lhe agrada o clima de tensão social que se instalou com a proposta de revisão do Código do Trabalho, que culminará numa greve geral. “É uma batalha sem sentido, deixem os trabalhadores em paz”.
Outras ideias que pode ouvir ao longo da conversa
“Não queremos ser uma espécie de mercador de Veneza da indústria da construção. Nós queremos aproveitar para democratizar”
“Quando eu era servente, servíamos o artista. Quero trazer esse gosto de volta: o de dizer sou artista e não sou pedreiro, porque as palavras contam”
“As cidades estão carregadas de muros no Martim Moniz, no Bem Formoso. A arquitetura tem de discutir isto”
“Se os empresários forem bulímicos, se quisermos tudo para nós, os trabalhadores não vão trabalhar, apenas obedecerão”
“É uma batalha sem sentido, deixem os trabalhadores em paz” [sobre as alterações ao Código do Trabalho e a greve geral]
