Cartaz

Jafar Panahi: "Quero fazer um filme que possa ser visto, depois deste regime"

"Foi Só Um Acidente" está nas salas nacionais. O filme, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e candidato de França ao Óscar de Melhor Filme Internacional, recebeu agora três nomeações para os Prémios do Cinema Europeu. É o reconhecimento de mais um filme de um realizador que não se resigna e faz cinema social, num país sem liberdade.

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Jafar Panahi esteve preso sete meses. Entrou em 2022 e saiu em 2023, devido a uma greve de fome e à pressão internacional. No cárcere, ouviu histórias de quem, como ele, foi acusado de propaganda contra o regime iraniano.

Saiu e fez "Foi Só Um Acidente", filme que tem como premissa a vingança de um homem ao torturador na prisão. A duvida fá-lo encontrar outros que passaram pelo mesmo, para não haver uma injustiça.

O olhar de cronista social faz de Jafar Panahi um alvo para as autoridades. As cenas rodadas no deserto e na carrinha foram feitas de uma forma discreta. Quando a equipa, mesmo reduzida, saiu para as ruas de Teerão, foi fiscalizada. As autoridades não encontraram nada, porque seguia tudo escondido. O cineasta habituou-se a fintar o sistema.

Em 2010, quando foi preso da primeira vez, foi proibido de sair do país e de filmar durante 20 anos. Quando estava em prisão domiciliária filmou "Isto Não É um Filme" e fingiu ser motorista para fazer "Táxi".

O cineasta desdramatiza: "O que é importante para mim é encontrar uma maneira de fazer filmes apesar das dificuldades, porque quero fazer um filme que possa ser visto daqui a 10, 20 anos, depois deste regime".