Cartaz

Abdulrazak Gurnah: "O computador não está a par do Prémio Nobel"

O vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2021 não se sente intimidado por ter vencido a distinção mais prestigiada da literatura e continua a ter o mesmo método de escrita. Nascido em Zanzibar há 76 anos, mas radicado no Reino Unido quase há 60, esteve em Portugal. "Gente da Casa" é o primeiro livro que publica desde o Nobel. O autor falou com a SIC.

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Foi professor de literatura inglesa na Universidade de Kent. Agora está reformado. Nunca conseguiu lecionar e escrever, em simultâneo. Recorrente é a viagem interior que faz à Zanzibar natal. "Gente da Casa" passa-se na década de 90 e tem como ponto de partida um episódio a que assistiu na juventude: a injustiça a um rapaz, acusado de roubar.

Abdulrazak Gurnah fugiu da Zanzibar, como refugiado, para o reino Unido, durante a revolução que perseguiu a comunidade árabe. Esse episódio ficou-lhe na memória.

Décadas depois, quis ajustar contas com um passado que não é seu. Questionou-se como teria sido o seu início de vida, onde estariam os seus pais, entre outras perguntas que ajudaram a criar o protagonista do livro. Conclui que "ninguém consegue abrir caminho no mundo sozinho".

Esse rapaz encontra a bondade num casal, que lida ao mesmo tempo, com uma era de transformação, na chegada do novo milénio e o aumento do turismo, em Zanzibar. O impacto afetará a vida deste trio.

"Gente da Casa" é o 11.º romance do escritor, mas apenas o quinto traduzido e publicado em português.