Há cada vez mais espécies de outros territórios que estão a ganhar terreno em diversos pontos do país. A propagação de espécies invasoras é um perigo para os ecossistemas e uma ameaça à biodiversidade que dificilmente consegue ser combatida pela própria natureza.
É o caso do siluro, o maior peixe de água doce da Europa. Pode chegar aos três metros e pesar 120 quilos. Sabe-se que este peixe já está no Douro, mas é no Tejo que há já evidências dos estragos que pode causar.
Uma análise a mais de 250 siluros revelou que se alimentam de 26 das 36 espécies que existem no Tejo - seis das quais estão ameaçadas, como a enguia, o sável ou a lampreia.
Mas o siluro não é o único animal a competir com as espécies nativas de rios e barragens em Portugal.
Na barragem do Divor, em Évora, procuram-se as tartarugas que se tornaram uma ameaça para o cágado de carapaça estriada e o mediterrâneo, duas espécies portuguesas.
O abandono é a solução encontrada para quem se cansou de ter em casa este animal de estimação comprado em lojas de animais. Três géneros de tartarugas já foram proibidos, mas ao comércio de animais têm chegado espécies parecidas que fogem à legislação.
Mas as espécies invasoras não incluem apenas animais. Na margem do rio Mondego, em Coimbra, na beleza da paisagem não é fácil perceber que numa pequena área é possível encontrar pelo menos seis plantas invasoras.
Em Portugal estão identificadas mais de 200 plantas invasoras. Grande parte chegou ao país para serem comercializadas ou usadas como decoração. Outras vieram à boleia nos cascos de barcos ou navios. Nos locais onde se instalam, as espécies de plantas que já existiam começam a desaparecer.
A manutenção e a sobrevivência de espécies locais exige, antes de mais, um maior conhecimento, não só por parte de cada um de nós, mas também de muitos profissionais que têm como função vigiar e proteger a natureza.
Ficha técnica:
- Coordenação Editorial: Conceição Lino
- Jornalista: Ana Lúcia Martins
- Imagem: Romeu Carvalho, Paulo Cepa, 4KFLY
- Edição: Daniel Fernandes
- Produção: Rita Pádua
- Colorista: Jorge Carmo
- Grafismo: Juliana Pereira, Sara Almeida, João Vaz Oliveira, Rui Silva, Rolando Arrifana e Walid Saleh
