Esta semana

Cartazes polémicos e ‘Salazares’? São “tentativa” de André Ventura de “fixar eleitorado”

No habitual espaço de análise da SIC Notícias, Ricardo Costa e Maria João Avillez analisam as eleições Presidenciais e a aprovação do Orçamento do Estado para 2026.

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Esta semana, André Ventura tem dado que falar: ora pelos polémicos cartazes para as Presidenciais, ora pela declaração, numa entrevista à SIC, de que o país precisa de “três Salazares” para “pôr isto na ordem”.

Ricardo Costa considera que esta é a estratégia de André Ventura para “fixar o eleitorado” das legislativas, depois de umas autárquicas em que o partido ficou “aquém” das expectativas.

“As autárquicas correram mal ao Chega, ficaram muito aquém das expectativas e comprovaram que o eleitorado dos partidos grandes não é fixo - os militantes são fixos, mas o eleitorado não”, afirma.

E Ventura percebeu que “corre o risco”, nas Presidenciais, de uma parte desse eleitorado das legislativas também desmobilizar. Para provar que os “22% de maio se mantêm”, escolheu esta estratégia, “porque achou que é a melhor maneira de mobilizar essa base”.

Um “ruído” que Maria João Avillez considera estar a desvalorizar a função presidencial.

“Portugal não chorou Salazar, porque é que André Ventura achará que há 1,5 milhões de eleitores dele que têm saudades do Salazar? Estarmos a discutir isto é desvalorizar a função presidencial. Há um enorme ruído à volta de Ventura - tudo o que ele faz é uma forma de não valorizar a função presidencial.”

Sobre a aprovação do Orçamento do Estado para 2026, Ricardo Costa sublinha a ‘entrada’ da legislatura numa “fase de normalidade”, depois de um longo período de várias eleições.

“E ainda bem. A partir do momento de hoje fica claro que, a não ser que aconteça alguma coisa estranha, as próximas eleições a seguir às Presidenciais serão em 2029.”

Considera que a probabilidade de o Governo fazer a legislatura toda é “alta”, até porque “o PS não vai querer eleições antes, a não ser que enlouqueça”. Avillez concorda, enaltecendo ainda a ‘performance’ do primeiro-ministro no Parlamento: “Montenegro é muito bom no Parlamento, onde há mais capacidade de debate.”