Futuro Hoje

Ficção tornada realidade e ficção fraudulenta, o mundo vai mudar para a semana mas Marte faliu

Tenho que escrever isto hoje antes que saiba demais e me comprometa a não dizer. É normal que jornalistas aceitem saber determinados factos sob embargo, ou seja, só os podemos revelar numa data e hora previamente combinada. Por enquanto não sei nada que não ande aí nas bocas do mundo, portanto posso bem prever que o mundo dos telemóveis muda durante este Mobile World Congress. Já começou.

O que a Samsung já mostrou oficialmente do que aí vem, para que não fiquem dúvidas, é o mesmo aparelho nas duas imagens. (Fonte: Samsung)

Chega a ser quase ridícula a imagem de ficção científica dos ecrãs que dobram. Pois este é o ano em que a coisa acontece.

Já apareceu uma coisa, para esquecer, de uma marca obscura que só queria marcar presença e não conta para este campeonato.

Agora estamos à espera para ver o que mostram de facto, pelo menos a Samsung e a Huawei.

As duas marcas já andaram a espicaçar quem segue estas coisas com imagens, a Samsung mostrou, num evento recente, um aparelho que apenas deixou ver ao longe e no escuro. Vou dizer o que me pareceu e não o que é, porque não sei. Parecia como que um pequeno livro, o ecrã usável quando fechado era a capa, quando aberto o interior revelava um outro ecrã que abrangia duas páginas por assim dizer.

A Huawei deverá ter algo na mesma linha. Os rumores apontam para algo que parece mesmo só ecrã, sobretudo quando aberto.

A Xiaomi lançou cá para fora um vídeo como sendo um protótipo, não garantindo que aquela forma correspondesse ao produto final, nem para quando será. É como um desdobrável que olhássemos de trás, uma folha muito grossa, que quando abrimos prolonga o ecrã para os dois lados.

É estranho porque isto faria com que tivéssemos sempre os dedos sempre em cima da superfície do ecrã. Mas não vou especular mais.

A LG também promete mudanças e há rumores de um dobrável mas, para já, pelo que dá a entender, as mudanças são mais a nível de interface, eventualmente comandos por gestos e identificação facial ao nível da Apple.

A ver vamos e a lista dos possíveis dobráveis para daqui a uns meses já começa a ser longa.

Certo é que parecíamos ter caído quase num marasmo no que aos telemóveis diz respeito e acredito que vamos agora ver uma série de novos formatos a romper com o “vidro quase sem botões”.

Serão em princípio formatos que tentarão substituir os tablets tornando os nossos telefones em aparelhos dois em um.

Um dos bonecos que venderam o projecto (Fonte: Mars One)

Promessas da ficção científica, daquelas que muitas vezes apenas despertavam leves sorrisos e agora começam a tornar-se realidade. Mas convém perceber o que é exequível em cada época.

No estado actual da ciência não é amanhã que enviaremos colonos em massa para bases marcianas.

Vem isto a propósito de uma notícia que muitos jornalistas nem querem dar. A falência da Mars One Ventures.

Entre bem intencionados absurdamente ingênuos e verdadeiros aldrabões foi feita a Mars One Ventures, um projecto que prometia começar a colonização de Marte nos próximos dez anos, mas nunca teve sequer uma verdadeiro esboço científico.

Nunca passou de um suposta intenção. Ia tudo começar com a escolha de 4 aventureiros que iam e não voltavam em nome da ciência e da diáspora humana.

É má vontade minha mas eu acredito que nem intenção havia.

Pois este projecto arrastou centenas ou milhares de pessoas convencidas que iam conseguir juntar 6 mil milhões de dólares em investimento, uma quantia impossível de conseguir em crowdfunding e que nem chega para começar um sonho desta dimensão.

Pior, arrastou centenas ou milhares de candidatos que andaram a dar entrevistas a torto e a direito a dizer que sim, que iam prescindir de família e dos amigos dos namorados e dos filhos se fossem os escolhidos para serem os primeiros a colonizar Marte.

Deve ser difícil perceber o custo social de uma coisa assim. Cientistas, jornalistas e pessoas de bom senso bem disseram que era impossível.

A maior parte do tempo andámos todos a dar voz, de forma absolutamente acrítica, a este absurdo.

Lamento mas tenho que dizer que não é assim que vamos defender o tal jornalismo que está em crise.

Pelo caminho alguns ainda vivem dos negócios que se fizeram a pretexto da recolha de fundos.

A fraude foi exposta, a fraude faliu como era óbvio, desde o dia um.