Chega a ser quase ridícula a imagem de ficção científica dos ecrãs que dobram. Pois este é o ano em que a coisa acontece.
Já apareceu uma coisa, para esquecer, de uma marca obscura que só queria marcar presença e não conta para este campeonato.
Agora estamos à espera para ver o que mostram de facto, pelo menos a Samsung e a Huawei.
As duas marcas já andaram a espicaçar quem segue estas coisas com imagens, a Samsung mostrou, num evento recente, um aparelho que apenas deixou ver ao longe e no escuro. Vou dizer o que me pareceu e não o que é, porque não sei. Parecia como que um pequeno livro, o ecrã usável quando fechado era a capa, quando aberto o interior revelava um outro ecrã que abrangia duas páginas por assim dizer.
A Huawei deverá ter algo na mesma linha. Os rumores apontam para algo que parece mesmo só ecrã, sobretudo quando aberto.
A Xiaomi lançou cá para fora um vídeo como sendo um protótipo, não garantindo que aquela forma correspondesse ao produto final, nem para quando será. É como um desdobrável que olhássemos de trás, uma folha muito grossa, que quando abrimos prolonga o ecrã para os dois lados.
É estranho porque isto faria com que tivéssemos sempre os dedos sempre em cima da superfície do ecrã. Mas não vou especular mais.
A LG também promete mudanças e há rumores de um dobrável mas, para já, pelo que dá a entender, as mudanças são mais a nível de interface, eventualmente comandos por gestos e identificação facial ao nível da Apple.
A ver vamos e a lista dos possíveis dobráveis para daqui a uns meses já começa a ser longa.
Certo é que parecíamos ter caído quase num marasmo no que aos telemóveis diz respeito e acredito que vamos agora ver uma série de novos formatos a romper com o “vidro quase sem botões”.
Serão em princípio formatos que tentarão substituir os tablets tornando os nossos telefones em aparelhos dois em um.
Promessas da ficção científica, daquelas que muitas vezes apenas despertavam leves sorrisos e agora começam a tornar-se realidade. Mas convém perceber o que é exequível em cada época.
No estado actual da ciência não é amanhã que enviaremos colonos em massa para bases marcianas.
Vem isto a propósito de uma notícia que muitos jornalistas nem querem dar. A falência da Mars One Ventures.
Entre bem intencionados absurdamente ingênuos e verdadeiros aldrabões foi feita a Mars One Ventures, um projecto que prometia começar a colonização de Marte nos próximos dez anos, mas nunca teve sequer uma verdadeiro esboço científico.
Nunca passou de um suposta intenção. Ia tudo começar com a escolha de 4 aventureiros que iam e não voltavam em nome da ciência e da diáspora humana.
É má vontade minha mas eu acredito que nem intenção havia.
Pois este projecto arrastou centenas ou milhares de pessoas convencidas que iam conseguir juntar 6 mil milhões de dólares em investimento, uma quantia impossível de conseguir em crowdfunding e que nem chega para começar um sonho desta dimensão.
Pior, arrastou centenas ou milhares de candidatos que andaram a dar entrevistas a torto e a direito a dizer que sim, que iam prescindir de família e dos amigos dos namorados e dos filhos se fossem os escolhidos para serem os primeiros a colonizar Marte.
Deve ser difícil perceber o custo social de uma coisa assim. Cientistas, jornalistas e pessoas de bom senso bem disseram que era impossível.
A maior parte do tempo andámos todos a dar voz, de forma absolutamente acrítica, a este absurdo.
Lamento mas tenho que dizer que não é assim que vamos defender o tal jornalismo que está em crise.
Pelo caminho alguns ainda vivem dos negócios que se fizeram a pretexto da recolha de fundos.
A fraude foi exposta, a fraude faliu como era óbvio, desde o dia um.
