Lourenço Medeiros

Futuro Hoje

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Editor de Novas Tecnologias

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S10 ao fim de umas semanas pegou? Sim, mas tem buracos sérios

Lourenço Medeiros

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Que se pode de esperar de um telefone que deve ser, é suposto ser, é expectável que seja o melhor do mundo? Lourenço Medeiros analisa o Samsung S10.

Curiosamente o S10 faz-me pensar que o melhor mesmo é não esperar grande coisa. Estou obviamente a caricaturar. Só que, normalmente, é fácil sobretudo se estivermos a falar de técnica, dizer que um é o mais leve ou o mais adequado para determinado tipo de tarefas.

Ora o Samsung Galaxy S10 nas suas variantes, acredito eu, pretende ser sobretudo um candidato sério ao título de melhor do mundo de uma forma geral.

O problema deste lugar é ser o mais ameaçado de todos.

Para já, temos que definir campos, estamos obviamente a falar dos topos de gama das principais marcas, dos telemóveis mais caros da faixa mais alta do consumo. Produtos caríssimos acima disto não contam porque são telefones destes ou piores que estes, aos quais se acrescenta ouro e diamantes para vender em mercados muito específicos.

Esta gama, em termos de preços é na casa dos mil, pode ser 800, pode ser 1200, no caso do S10 e de um modelo extremo com 1TB de armazenamento pode chegar aos 1700€.

Caro, mas com resultados garantidos, mesmo com pouca luz

Caro, mas com resultados garantidos, mesmo com pouca luz

Não há a mínima dúvida, é muito agradável, pelo menos para quem como eu já se tenha habituado a esta geração de telefones grandes o Galaxy S10 + que tenho usado faz-se completamente à nossa mão. É daqueles em que quase esquecemos o desenho porque está feito para isso mesmo. Olhamos para a função.

Ser quisermos bater podemos dizer que a Samsung não foi a primeira a optar pela solução das três lentes. O kit grande angular, normal e pequena teleobjectiva era o considerado essencial quando aprendi fotografia, e finalmente está a tornar-se habitual nestes smartphones.

Permite um leque impressionante de opções, mais ainda porque o digital leva a combinações de lentes por software para certos efeitos como o caso do tão popular e agradável desfoque.

A Samsung parece aqui hesitar, algum compromisso com a tendência actual para usar software que adultera as imagens e as faz mais bonitinhas, e a foto pura e dura como os profissionais gostam, a qualidade em bruto que, se quiserem, manipulam mais tarde.

De facto, muitos utilizadores preferem ver logo nos ecrãs as cores mais vivas, as peles mais lisas, um ou outro efeito como os falsos zoom sempre espectaculares, dá menos trabalho e é satisfação garantida.

Efeitos fáceis com um click

Efeitos fáceis com um click

Consegue mesmo assim não destruir a qualidade da imagem, que é de facto impressionante. Quando vejo as fotos no ecrã do computador, a verdadeira prova dos 9, continuo com aquela sensação de espanto para quem sabe que foi feito num telemóvel.

Não, não é a mesma coisa que fotografar com uma máquina profissional, estou um pouco farto de declarações exageradas e nenhum telemóvel faz isso, parece que faz, mas quando vamos ver o detalhe e ampliar as imagens de facto, não faz.

Podia dizer o mesmo do vídeo, irrepreensível para um telemóvel. É compreensível, tecnicamente natural, mas habituei-me tanto às três lentes que tenho pena de não as poder usar nos slow motion e hyperlapse. Faço sim uma brincadeira arriscada mas muito divertida.

Consigo fazer pequenos clipes em que vou mudando a objectiva, quase como se estivesse a editar o vídeo em direto, é um risco sério, não tente isso no casamento do seu melhor amigo, guarde a brincadeira para quando não fizer mal se estragar o resultado.

Quando falo das qualidades do vídeo e das fotos, é porque a aprecio noutros ecrãs, os resultados são sempre otimizados para o ecrã do próprio aparelho, e aí é garantido que os amigos vão soltar uns ah e oh, a menos que seja mesmo muito mau a fotografar.

A grande angular é muito bem vinda

A grande angular é muito bem vinda

Diz alguma crítica que estamos perante o melhor ecrã de telemóvel do mundo, eu mais uma vezes não gosto de absolutos e não tenho os conhecimentos técnicos para dizer uma coisa dessas, mas não seria difícil convencer-me que será um dos primeiros três, ou dois, ou mesmo um. Tenho que falar do buraquinho.

A Samsung reduziu o nodge, a bossa, onde são colocados os sensores e câmaras frontais ao espaço de um ou dois furinhos, que corresponde a uma lente, ou a uma lente mais um sensor de profundidade, conforme estejamos a falar do S10 ou S10+.

Agrada mais a alguns, é fácil esquecer que está lá. A mim a bossa nunca me incomodou muito e com um truque de software era fácil fazer desaparecer totalmente. É daquelas coisas que cai simplesmente no gosto pessoal de cada um.

Pena é não podermos usar na sua capacidade máxima, por defeito e para poupar bateria, o S10 baixa a resolução do ecrã, é fantástica na mesma, mas o facto é que a resolução máxima anunciada não é para usar sob pena de prejudicar seriamente a performance do aparelho. Já era assim com o S9 e não me agrada nada.

Mantém o jack 3,5 o que é cada vez mais raro e continua ser muito apreciado ao que parece, para mim já não tem grande importância, até porque as ligações sem fios estão cada vez melhores e gastam muito pouco mesmo, para ouvir música.

Enquanto escrevia isto, isolado com música nos auscultadores como é habitual, vou fazendo mais algumas experiências e activei o Dolby Atmos que recomendo vivamente. É o momento certo para dizer que os auriculares da AKG que o acompanham são do melhor em termos de qualidade de som que já vi sair de uma caixa de telemóvel, aqui posso mesmo dizer nunca fui tão surpreendido com auriculares destes, de origem, como neste caso. Puro prazer incluído no preço, tudo o resto tem que ser pago à parte.

Embirro com a mania da Samsung de inverter a ordem das funções dos botões virtuais em baixo mas podemos facilmente por tudo como deve ser.

Pena a teimosia no botão do Bixby. Ou seja há um botão dedicado para o mordomo virtual da marca que, tem evoluído, mas não está a par dos outros. E enquanto continua a não estar a par podemos alterar as funções. Mais ou menos, porque para o fazer temos que ativar o Bixby e fazê-lo através de uma conta Samsung e só depois podemos mudar um dos modos do botão para outra função.

Se não quiser fazer estas coisas, fica com um botão inútil que vai interferir com o que estiver a fazer de cada vez que tocar nele por acidente, porque vai disparar o ecrã a pedir para activar o Bixby.

Tenho muita pena de dizer mas de facto esta é mesmo a minha experiência. Fico espantado quando vejo muitos dos comentadores a louvar o novo sistema de leitura biométrica da Samsung, como se fosse a última maravilha. Seguindo a tendência, é possível ler a impressão digital colocando o dedo diretamente numa determinada área do vidro. Nas outras marcas há uma luz que acende e um sensor que lê a reflexão dessa luz, ou seja, há uma leitura óptica da nossa impressão digital.

A Samsung faz o mesmo com ultrasons, como um radar que lê as curvas que marcam o nosso dedo em três dimensões. Funciona, mas é ligeiramente mais lento e mais sujeito a falhas do que as leituras ópticas. Falhas, neste caso, é não abrir à primeira, não é falha de segurança.

Como tenho normalmente a identificação facial ligada por regra, esta age mais depressa do que a leitura do dedo. Foram publicados vídeos no YouTube a denunciarem que a leitura facial do S10 era de tal forma fácil de enganar que bastava um ecrã com um vídeo do próprio. Para escrever este texto decidi testar, e foi pior ainda.

Mesmo com o vídeo parado e com o botão de play a aparecer em cima do meu nariz na imagem consegui abrir o telefone. Uma e outra vez, não foi coincidência. Isto é o oposto do iPhone, que conseguiu levar a identificação facial a tal nível de segurança que é aceite pelos bancos para completar transações e transferências, e funciona em condições muito extremas.

A Samsung afirma que o reconhecimento facial é uma “conveniência” e que quando é necessária segurança deve ser usado o sistema de impressão digital certificado por entidades independentes. Ao activar o reconhecimento facial recebemos avisos, é verdade, mas nunca pensei que fosse tão fácil, tão inseguro, vou desativar.

É um dos grandes calcanhares de Aquiles e até estranho que não se fale mais nisso. Será que todos os comentadores andam com os telefones desbloqueados ou com pins simples como 1234? Provavelmente só usam a impressão digital, digo eu.

Resumo possível, parece que fui piorando a opinião à medida que escrevia mas não é de todo verdade. Tem um enorme calcanhar de Aquiles que eu não esperava e que espero bem que possa ser resolvido por actualização de software. É daquelas máquinas de que se gostas, gosta mesmo, que nos faz falta, e com a qual podemos criar uma relação ao ponto de não queremos que venha a próxima versão…

Sem dúvida um dos três melhores do mundo, sejam eles quais forem. Não vou fazer aqui a longa lista de cores e variações de modelos que está disponível na Samsung e nas lojas todas.

O telemóvel que serviu de base a este texto e a todas as imagens é um Samsung Galaxy S10 + dual Sim com 8 GB de Ram e 128 GB de armazenamento e com uma bateria de 4100 mAh.

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