Diz-se que o casamento é o dia mais feliz da vida de um casal. E no caso de Talita e André, o dia foi inesquecível - mas por maus motivos. Apesar de terem tudo pago há meses, pouco antes do grande dia, a empresa que contrataram para fornecer as mesas e cadeiras disse-lhes que não ia entregar nada.
Pagaram 800 euros, mas ficaram também sem parte da louça que tinham reservado para as refeições dos convidados. A empresa terá alegado que o material tinha sido usado noutro casamento e estava retido.
Na altura ainda achavam que a história era verdadeira. Só perceberam que podiam estar a ser enganados quando pediram de volta os 800 euros que pagaram e a empresa deixou de responder, nunca tendo devolvido o dinheiro.
Empresa com milhares de seguidores nas redes sociais
A empresa dá-se pelo nome de “Alugue e Festas”. Tem grande presença nas redes sociais. Só no Instagram, onde chega à maior parte dos clientes, tem mais de 20 mil seguidores. As fotografias e vídeos dos eventos - que dizem ter realizado - convenceram muitos noivos.
Foi assim que Maria e Francisco conheceram a empresa. Aquilo que parecia um bom negócio acabou por ser uma dor de cabeça.
Alugaram grande parte do que precisavam para o evento. Até que, na semana do casamento, perceberem que o que a empresa tinha para oferecer não era bem o que foi contratado. A dias do casamento, o casal ficou com um problema gigante para resolver. E para pagar.
Pagaram 2200 euros por um serviço que nunca foi realizado. Dizem que a empresa nunca devolveu o dinheiro e deixou de lhes responder.
Lesados não conseguem contactar empresa
João e a futura mulher encontraram a “Alugue e Festas” em janeiro de 2024. Agora que o casamento está à porta, contactaram a empresa e perceberam que algo não batia certo.
A dois meses do casamento, decidiram começar a procurar alternativas. Pediram o dinheiro de volta, mas dos 1500 euros que pagaram nem sinal.
O mesmo problema têm Carla e Miguel, um casal de Braga. Contrataram a “Alugue e Festas” há mais de um ano. Pagaram 50%. Carla ficou grávida e, ao mesmo tempo, encontrou as reclamaçõescontra a empresa no Portal da Queixa, na Internet. Quiseram cancelar o serviço. Foi aí que os problemas começaram.
Sem atender o telefone, os noivos têm tentado enviar cartas registadas para a sede da empresa – que se chama, na verdade, “Metáfora Pacífica Unipessoal”. A sede oficial fica num prédio em Rio de Mouro, Sintra. Mas há pelo menos um ano que já lá não está ninguém da empresa.
À procura dos responsáveis da empresa, muitos têm também ido até ao Montijo, onde está o armazém da “Alugue e Festas”. O senhorio do armazém está, também ele, a ser lesado, com sete meses de rendas em atraso.
Não são apenas os noivos que se queixam de terem sido enganados. Há pelo menos três empresas - profissionais que trabalham no mercado dos casamentos - que avançaram com processos em tribunal.
Dona garante que empresa está a funcionar
Contactada pela SIC de várias formas e ao longo de vários dias, só a poucas horas de a reportagem ir para o ar recebemos resposta da dona da empresa.
Daniely Gonçalves diz que a empresa está aberta e em funcionamento. Apesar de os clientes não conseguirem localizar a empresa, a empresária afirma diz que todos têm contactos e morada".
É isso que as autoridades vão agora apurar. Já há queixas na PSP, GNR e até na PJ. E também o Estado pode ter sido lesado.