Investigação SIC

Instituto Halal quer responsabilização da Marinhave sobre casos de maus-tratos revelados pela SIC

O Instituto Halal de Portugal repudia veementemente qualquer forma de crueldade, negligência ou desrespeito no tratamento de animais e lembra que as regras halal obrigam a que sejam respeitados os princípios de bem-estar animal durante todo o processo, do aviário ao matadouro.

Instituto Halal quer responsabilização da Marinhave sobre casos de maus-tratos revelados pela SIC

O Instituto Halal de Portugal - entidade que certifica que o pato Quinta da Marinha foi criado e abatido de acordo com a lei islâmica - pediu esta terça-feira à Marinhave que apure responsabilidades sobre os casos de maus-tratos revelados pela Investigação SIC.

"Qualquer desvio das boas práticas, seja por falhas humanas, institucionais ou de supervisão, deve ser investigado e responsabilizado com o máximo rigor", disse à SIC fonte oficial do Instituto.

"Repudiamos veementemente qualquer forma de crueldade, negligência ou desrespeito no tratamento de animais, seja em contexto halal ou não."

Os patos Quinta da Marinha são abatidos sem atordoamento definitivo, com a cabeça virada para Meca e têm de sangrar totalmente. Só assim conseguem ter o selo "Halal" que lhes permite ser consumidos por muçulmanos - uma certificação que abre muitos mercados a esta exploração de Benavente, que exporta para 24 países, dos Estados Unidos a Taiwan. Mas as regras halal não se limitam ao abate. Antes, obrigam a que sejam respeitados os princípios de bem-estar animal durante todo o processo, do aviário ao matadouro.

"Em resposta às recentes notícias veiculadas pela SIC sobre alegados casos de maus-tratos a animais em matadouros nacionais, o Instituto Halal de Portugal vem, com clareza e responsabilidade, reafirmar a sua posição firme e intransigente em defesa do bem-estar animal. Como entidade que certifica produtos e processos segundo os princípios Halal, baseamo-nos não apenas em requisitos técnicos e religiosos, mas também em valores éticos profundos, onde o respeito pela vida animal é central. O abate Halal, quando praticado corretamente e com supervisão adequada, exige um tratamento digno e compassivo dos animais em todas as fases — desde o transporte até ao momento do abate."

A certificação halal que a Marinhave disponibiliza no site oficial expirou a 7 de julho de 2025. No entanto, o Instituto Halal de Portugal adiantou à SIC que a empresa ainda detém a certificação.

"Defendemos uma abordagem transparente, ética e responsável, e estamos disponíveis para colaborar com todas as entidades públicas e privadas para garantir que situações de abuso nunca sejam toleradas", disse à SIC, fonte oficial do Instituto Halal de Portugal.