À primeira vista, o número 55 da Rua D. Afonso Henriques, em São João da Talha, parecia um prédio como outro qualquer. A única indicação de que ali funcionava uma igreja evangélica era um letreiro colado por cima da porta.
Esse letreiro desapareceu recentemente, depois de a Investigação SIC ter revelado que, sob a fachada de uma alegada igreja, viviam dezenas de pessoas em quartos improvisados. O letreiro saiu, mas lá dentro continuam as bandeiras, os instrumentos musicais usados no culto, as cadeiras e até os folhetos de apoio espiritual na mesinha da entrada.
Fomos à procura do presidente vitalício desta igreja, Zaqueu Pereira. Pedimos informação a uma mulher que acabava de sair da igreja e de trancar a porta. Subimos ao primeiro andar, que também estava dividido em quartos arrendados por esta igreja evangélica. Rapidamente se percebeu por que motivo a nossa presença não era bem-vinda.
O constante entra e sai na porta de baixo não engana. Por aqui, nada mudou. A vizinhança contava que, por esta altura, teria sido encontrada uma solução. O caso foi revelado em março pela Investigação SIC e, pouco tempo depois, houve até buscas da PSP neste local.
Zaqueu Pereira, 69 anos, natural da Bahia, no Brasil, e a mulher, Ana Paula, 63 anos, nascida no Rio de Janeiro, são os rostos por detrás desta chamada "base missionária" em Loures. Têm outras no Seixal e em Setúbal.
Fundaram uma igreja evangélica em 2006, em Mangualde, distrito de Viseu. Mudaram-se nos últimos anos para o Seixal, mas mantiveram o nome da igreja: "Igreja Evangélica - Assembleia de Deus de Mangualde em Amora".
Investigação SIC: conte-nos o que merece ser denunciado através do email investigacao@sic.pt.
